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20 mar 2026 17:32

Relatório da Unaids aponta redução de desigualdades como chave para mitigar pandemias

Documento lançado em Brasília conta com contribuição de Nísia Trindade e propõe nova abordagem de segurança sanitária global

Por Kleber Karpov

O Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias lançou, nesta semana, a versão em português do relatório “Rompendo o ciclo da desigualdade”. A apresentação do documento ocorreu em Brasília, durante a 57ª Reunião da Junta de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). O texto estabelece uma correlação direta entre disparidades sociais e a gravidade de crises sanitárias, além de propor estratégias para o próximo quinquênio.

O encontro na capital federal tem como objetivo definir a estratégia global para o combate à Aids no período de 2026 a 2031. O Brasil preside atualmente o conselho da agência e classifica o momento como crucial. A resposta internacional enfrenta desafios devido a reduções abruptas na assistência financeira, como as recentes restrições orçamentárias do governo dos Estados Unidos.

A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, alertou recentemente sobre a necessidade de fortalecimento das organizações lideradas por mulheres. Segundo a engenheira ugandense, muitas dessas entidades perderam financiamento ou precisaram suspender atividades essenciais no combate à doença.

Ciclo vicioso

O estudo consolida evidências de que os determinantes sociais impactam diretamente o desenvolvimento de emergências de saúde. Altos níveis de disparidade favorecem a disseminação de surtos, dificultam respostas nacionais e tornam as pandemias mais longas e letais. O relatório indica que as crises sanitárias ampliam as desigualdades preexistentes, o que alimenta um ciclo perverso observado na covid-19, ebola e mpox.

“A desigualdade não é inevitável. É uma escolha política – e uma escolha perigosa, que ameaça a saúde de todos. Quem se preocupa com o impacto das pandemias precisa se preocupar com a desigualdade. Os líderes podem quebrar esse ciclo aplicando as soluções políticas apresentadas neste relatório”, afirmou Monica Geingos, ex-primeira-dama da Namíbia e integrante do conselho.

Impacto social

A ex-ministra da Saúde e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, contribuiu para a elaboração do documento. Ela destaca que fatores como educação, renda, moradia e condições ambientais definem os grupos mais vulneráveis às emergências.

Dados apresentados apontam que pessoas sem educação básica tiveram probabilidade até três vezes maior de morrer por covid-19 em comparação com aquelas com ensino superior. As populações negras, indígenas e residentes em áreas periféricas também registraram taxas superiores de infecção e óbito.

“As evidências reunidas revelam o círculo vicioso: desigualdades internas e globais ampliam a vulnerabilidade das sociedades. E pandemias reforçam essas mesmas desigualdades, dinâmica vista em emergências como as de Covid-19, HIV/Aids, Ebola, Influenza e Mpox”, destacou Nísia Trindade.

O artigo assinado por Nísia Trindade alerta para o impacto sobre as mulheres, especialmente as negras. Houve registro de elevação alarmante na mortalidade materna, que saltou de 57,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2019 para 110 em 2021. Entre as mulheres pretas, o índice chegou a 194,8.

Recomendações estratégicas

O conselho propõe quatro recomendações baseadas na abordagem de Prevenção, Preparação e Resposta (PPR). As diretrizes incluem a reorganização do sistema financeiro com renegociação de dívidas, o investimento em prevenção social, o fortalecimento da produção local de insumos e a criação de uma governança multissetorial baseada na confiança. “Precisamos agir juntos contra as desigualdades, as quais tornam as pandemias mais prováveis, letais e custosas”, declarou um porta-voz do conselho.

Nísia Trindade reforça a necessidade de preparar o país com sistemas de saúde resilientes e gestão qualificada. A pesquisadora defende propostas como mecanismos automáticos de financiamento de emergências e o combate a políticas de austeridade que comprimem gastos sociais fundamentais.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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