São Paulo suspende repasse a entidade que acolhe crianças com câncer

Governo diz que associação não apresentou documentos necessários

Por Guilherme Jeronymo 

A Secretaria de Saúde do estado de São Paulo deixou de renovar convênio com a Casa Hope, instituição filantrópica que acolhe crianças em tratamento de câncer e transplantadas de medula óssea, fígado e rins. A entidade oferece alimentação, moradia, apoio no acesso a medicamentos e transporte para os pacientes provenientes do interior e também de outras regiões do país, como Norte e Nordeste.

De acordo com a instituição, o convênio ocorre há mais de 15 anos, com renovação anual, porém não foi renovado neste ano. O recurso estadual é responsável por cerca de 50% do orçamento da entidade, com cerca de R$ 1,4 milhão por ano.

Com a suspensão, a entidade teme não conseguir manter o atendimento.

“Nosso atendimento é 100% destinado a famílias que passam no SUS. Por enquanto estamos sem alternativa”, explicou Heloisa Lima, coordenadora Financeira da Hope, à Agência Brasil.

O montante, que normalmente chega à organização não governamental em fevereiro, permite o atendimento de cerca de 150 famílias por ano. Segundo a coordenadora, sem o repasse, começará a faltar dinheiro para atendimentos a partir de maio.

A entidade recebe ainda apoio financeiro da prefeitura, doações e recursos decorrentes das vendas de um bazar. A Casa Hope, que funciona desde 1996, está localizada no bairro de Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, próximo de centros hospitalares públicos de referência.

Governo

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a Associação Pró-Hope Apoio à Criança com Câncer não regularizou a documentação necessária para receber os recursos públicos, apesar de ter sido notificada diversas vezes.

“Sem a regularização por parte da entidade, o Poder Público fica impedido, pela Justiça, de repassar verbas à instituição. Mesmo diante da gravidade da situação gerada pela Pró-Hope, a SES segue em tratativas com a entidade para que ela apresente seu plano de trabalho. A Pasta espera que a associação disponibilize os documentos o quanto antes, permitindo assim que o convênio seja retomado sem prejuízo na prestação do serviço à população”, informa a nota do órgão.

Em entrevista à Agência Brasil, mais cedo, a coordenadora da Casa Hope informou que a organização não sabia o motivo da suspensão do convênio e que buscou contato com a secretaria, mas não obteve explicação.

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