Operação Delfos: envolvidos em cobrança de propina do SindSaúde são condenados

Condenados utilizavam-se de seus cargos públicos e influência para exigir vantagem econômica em troca de facilidades junto ao GDF

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conseguiu a condenação de quatro pessoas envolvidas em cobrança de propina contra o Sindicato dos Servidores da Saúde (SindSaúde). O esquema foi investigado pela Operação Delfos em agosto de 2016. A decisão é de 5 de dezembro de 2018.

A investigação do MPDFT apurou que Edvaldo Simplicio da Silva, Valdecir Marques de Medeiros e Christian Michael Popov se aproveitaram dos cargos que ocupavam no Governo do Distrito Federal para exigir de Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde, R$ 214 mil em propina. O pagamento seria a forma de resolver um suposto problema na renovação do código de desconto para consignação em folha dos filiados ao sindicato. O dinheiro seria lavado por meio de contrato fictício com a empresa Netsaron Corretora de Seguros, administrada por Beatriz Casagrande Simplicio da Silva, filha de Edvaldo.

Edvaldo foi condenado a 4 anos e 9 meses de reclusão pelos crimes de concussão e lavagem de dinheiro, além de 31 dias-multa, correspondente a metade do salário-mínimo vigente na época do crime. Valdecir e Christian terão de cumprir 6 anos e 2 meses de reclusão pelos mesmos crimes, além de 39 dias-multa, cada um no valor de metade do salário-mínimo da época. Beatriz foi condenada pelo crime de lavagem de dinheiro. A pena foi fixada em 2 anos de reclusão em regime aberto e 6 dias-multa, correspondente a um trigésimo do salário-mínimo vigente no período do crime.

Para o promotor de Justiça Luis Henrique Ishihara, da 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), as condenações demonstram que não há espaço ou tolerância para a prática de corrupção na Administração Pública e que qualquer conduta criminosa que viole o Estado de Direito, por parte de servidores públicos, será punida.

Relembre o caso

A Operação Delfos foi deflagrada em 17 de agosto de 2016 pela 4ª Prosus, com o apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) e do Ministério Público de Contas do DF (MPC/DF). Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas dependências da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão e na Ouvidoria da Vice-Governadoria do DF.

O caso se tornou público quando a imprensa divulgou, em 16 de julho, conversas entre Marli Rodrigues e o ex-vice-governador do DF Renato Santana. Nos diálogos, gravados por Marli, eles falavam sobre supostos pagamentos de propina na área da saúde. Logo em seguida, o MPDFT e o MPC/DF encaminharam cinco ofícios a representantes do governo pedindo apuração imediata, cópias de documentos e outras informações acerca das gravações.

Fonte: MPDFT

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