Por Kleber Karpov
Um estudante de dezessete anos enfrentou graves ameaças em um grupo de conversas virtuais integrado por alunos de sua escola no Distrito Federal. O episódio ocorreu durante a contagem de votos da disputa presidencial, no momento em que a liderança na apuração sofreu alteração. A vítima, que é um adolescente transgênero, tornou-se alvo de hostilidades virtuais motivadas por preferências políticas.
De acordo com os registros apurados, um colega de turma enviou um arquivo de áudio com ameaça explícita de morte caso o jovem comparecesse à instituição de ensino no dia seguinte. Na gravação, o autor das mensagens proferiu ofensas de cunho político associadas à escolha do estudante e mencionou o nome do candidato em disputa. O mesmo participante do grupo afirmou que agrediria outros cinco colegas com o uso de facas caso seu candidato fosse derrotado no pleito.
Outro integrante do canal virtual reagiu às postagens com curtidas e figuras de humor, demonstrando apoio às declarações. Embora o jovem seja transgênero, a mãe relatou que ele nunca havia sofrido episódios de transfobia no ambiente escolar, o que causou espanto diante da agressividade motivada pela polarização política.
Consequências
Em decorrência das intimidações, o estudante faltou às aulas durante toda a semana e permanece apreensivo em relação ao retorno à rotina acadêmica. A família optou por não registrar boletim de ocorrência policial no momento, motivada pelo receio de exposição e de novas represálias contra o adolescente.
A direção da unidade escolar adotou sanções disciplinares após tomar conhecimento dos fatos. O autor das ameaças foi transferido compulsoriamente para outra instituição de ensino, enquanto o aluno que endossou as mensagens recebeu suspensão temporária por quatro dias. “A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”, declarou a mãe do estudante.













