Por Kleber Karpov
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou, nesta quarta-feira (15/Abr), um relatório indicando que as doenças não transmissíveis (DNTs) estão redefinindo as sociedades globais. Segundo o documento, embora a geração atual viva mais tempo, um número crescente de pessoas o faz com múltiplas doenças crônicas, como doenças cardíacas, câncer, diabetes e problemas pulmonares crônicos, cenário que tende a se agravar e que já afeta milhões a mais do que na geração anterior.
Cenário das doenças não transmissíveis
O aumento da prevalência dessas condições é substancial. Dados do relatório mostram que, entre 1990 e 2023, os casos de câncer aumentaram 36% e os de doença pulmonar obstrutiva crônica cresceram 49%. No mesmo período, a prevalência de doenças cardiovasculares registrou um aumento superior a 27%.
As estatísticas de 2023 reforçam a dimensão do problema. Naquele ano, uma em cada dez pessoas que viviam em países-membros da OCDE tinha diabetes. A incidência de doenças cardiovasculares era ainda maior, afetando uma em cada oito pessoas nessas nações.
Impactos e a importância da prevenção
O documento da OCDE alerta para as consequências socioeconômicas do avanço das DNTs. A organização ressalta que essas doenças não apenas diminuem a expectativa e a qualidade de vida, mas também geram impactos econômicos negativos, elevando os gastos com saúde e diminuindo a produtividade da força de trabalho.
“As DNTs encurtam vidas, afetam a qualidade de vida das pessoas e reduzem sua capacidade de trabalho. Isso aumenta os gastos com saúde e reduz a produtividade dos trabalhadores e o retorno econômico”, destacou o documento.
A análise enfatiza que a prevenção traz benefícios sociais e econômicos muito maiores do que o tratamento tardio das enfermidades. Países que conseguem reduzir fatores de risco importantes, como obesidade e tabagismo, podem não apenas salvar vidas, mas também aliviar a pressão financeira sobre seus orçamentos de saúde.
“No entanto, muitos desses impactos são evitáveis, por meio de ações sobre os fatores de risco à saúde, diagnóstico precoce de doenças e tratamento aprimorado”, completou a OCDE.
Fatores por trás do aumento contínuo
A OCDE identifica três razões principais para a expansão contínua das doenças crônicas não transmissíveis no mundo. A primeira é que o progresso na redução de fatores de risco como poluição do ar, tabagismo e consumo de álcool foi prejudicado pelo aumento acentuado das taxas de obesidade.
Outro fator é a melhoria nas taxas de sobrevivência a essas doenças. Embora seja um sucesso da saúde pública, isso significa que mais pessoas vivem por mais tempo com condições crônicas, o que aumenta a demanda por cuidados contínuos e a complexidade dos serviços de saúde necessários.
Por fim, o envelhecimento populacional contribui significativamente, pois mais pessoas estão atingindo as faixas etárias em que as DNTs são mais comuns.
Projeções futuras
As projeções indicam uma aceleração do problema nas próximas décadas. O envelhecimento da população, por si só, deve impulsionar o crescimento do número de novos casos de DNTs.
“Mesmo que a prevalência dos fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam constantes, o número de novos casos de DCNT deverá crescer 31% na OCDE entre 2026 e 2050, apenas devido ao envelhecimento populacional”, alertou o relatório.
As previsões também apontam para um aumento expressivo da multimorbidade, que é a combinação de múltiplas doenças em um mesmo indivíduo, e um consequente aumento nos custos com saúde.
“Prevê-se que a prevalência de multimorbidade [combinação de doenças crônicas ou agudas] aumente 75% na OCDE (70% na União Europeia) e que a despesa anual per capita com saúde relacionada com doenças não transmissíveis cresça mais de 50% na OCDE”, concluiu a organização.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











