Neoenergia: MPDFT quer condenação da empresa por falhas na prestação de serviços

Concessionária deverá pagar R$ 86 milhões por danos morais coletivos. Ação foi motivada por inquérito civil a partir da reclamação de dezenas de consumidores

Por Kleber Karpov

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) ajuizou uma ação civil pública nesta quarta-feira, 22 de julho, contra a Neoenergia Brasília, pedindo a condenação da concessionária ao pagamento de R$ 86 milhões por danos morais coletivos. A medida judicial foi tomada em razão de “persistentes, sistêmicas e graves falhas” na prestação do serviço de energia elétrica no Distrito Federal. A ação é resultado de um inquérito civil público instaurado em fevereiro deste ano, após o recebimento de dezenas de reclamações de consumidores.

As queixas que motivaram a investigação revelaram uma deficiência sistêmica na qualidade do serviço. Consumidores de diversas localidades relataram problemas como sucessivas quedas de energia, queima de eletrodomésticos, prejuízos à produção agrícola e demora excessiva no restabelecimento do fornecimento.

Além dos danos materiais, os usuários também apontaram dificuldades para solucionar os problemas junto aos canais de atendimento da concessionária. Segundo a ação, “a abrangência do problema demonstra que as interrupções não são incidentes isolados, mas sim defeitos e vícios de qualidade e de quantidade, de forma estrutural no fornecimento de energia”.

O promotor de justiça Paulo Binicheski, da Prodecon, destacou a responsabilidade da empresa em manter a qualidade dos serviços. Em sua declaração, ele frisou que “a Neoenergia assumiu uma das maiores redes de distribuição de energia do país, mas está deixando de atender a parâmetros mínimos de qualidade e de continuidade dos serviços, seja pela falta de investimentos em melhorias, de instalações e de pessoal, na equação de buscar o lucro antes de investir o necessário, e quando investir, o mínimo possível para evitar o colapso total”.

Desempenho insatisfatório

Para sustentar suas alegações, o MPDFT cita dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que apontam um desempenho insatisfatório da concessionária nos últimos anos, o que levou a autuações pela agência reguladora. Em uma das regiões analisadas, o PAD-Jardim, os consumidores chegaram a ficar, em média, mais de 41 horas sem energia em 2024, um índice 231% superior ao limite regulatório estabelecido. O Ministério Público descreve o caso como um “verdadeiro estado de calamidade permanente”.

Outro ponto crítico mencionado na ação foi a migração do sistema comercial da empresa, que gerou uma crise no atendimento. Consumidores enfrentaram dificuldades para emitir a segunda via das contas, receberam cobranças duplicadas ou faturas zeradas, além de relatarem falhas gerais no atendimento.

O aumento no número de reclamações na plataforma Consumidor.gov evidencia a insatisfação dos clientes. Em 2024, foram registradas 1.049 queixas, número que subiu para 2.078 em 2025. Apenas até maio deste ano, a empresa já acumulava 2.183 reclamações, superando o total do ano anterior.

Tentativa de acordo administrativo

Antes de ingressar com a ação judicial, a Prodecon buscou uma solução administrativa para os problemas. Foram realizadas reuniões com representantes da Neoenergia e tentou-se firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No entanto, a contraproposta apresentada pela concessionária foi considerada insatisfatória pelo órgão de defesa do consumidor.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

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