21.5 C
Brasília
08 fev 2026 20:12

Mulheres brasilienses brilham na vida pública e longe dos holofotes

Conheça a história da professora Jaqueline Godoy, mulher mais jovem a comandar a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), e a da massagista Hélia Santos, que superou as desigualdades para colocar os dois filhos na universidade

Por Catarina Loiola

Perseverança e coragem são palavras que regem a rotina de milhares de mulheres do Brasil e do mundo. Para conquistar os próprios sonhos e lutar contra estigmas e preconceitos, elas enfrentam diariamente a exigência de muita força e resiliência. Oficializado pela Organização das Nações Unidas na década de 1970, o Dia Internacional da Mulher é celebrado nesta sexta-feira (8) e representa a caminhada histórica pela equiparação dos direitos entre homens e mulheres.

A ocupação feminina no mercado de trabalho no DF aumentou 2,1% entre 2022 e 2023

Mesmo que a passos muitas vezes lentos, elas vão conquistando espaços na sociedade. A ocupação feminina no mercado de trabalho no DF aumentou 2,1% entre 2022 e 2023. O setor que mais contratou foi o de serviços, com destaque para os ramos de administração pública, seguido por alojamento e alimentação, informação e comunicação, atividades profissionais científicas e técnicas, e serviços domésticos. Os dados são do boletim Mulheres e Trabalho Remunerado no Distrito Federal, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística (IPEDF) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Duas dessas histórias de conquistas são da professora Jaqueline Godoy e da massagista Hélia Santos, mulheres que, em cenários completamente distintos, superaram desafios e obstáculos para alcançar o que sempre quiseram.

A professora do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB) Jaqueline Godoy Mesquita, 38 anos, está à frente da presidência da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) desde agosto de 2023. Ela é a pessoa mais nova a ocupar o posto e a terceira mulher – o mandato da última foi encerrado há 18 anos.

“São muitos os desafios de estar à frente da Sociedade”, revela Jaqueline. “Sinto bastante machismo nessa posição. Percebi em vários ambientes que, para algumas pessoas, é mais difícil aceitar uma autoridade vinda de uma mulher. Por outro lado, é muito importante ter uma mulher em cargos como esse por questões de representatividade. Depois que assumi, muitas mulheres disseram que estavam felizes com isso e perceberam que podem chegar no mesmo espaço que eu.”

Jaqueline Godoy Mesquita driblou o machismo para chegar à presidência da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) | Foto: Arquivo pessoal

A falta de representatividade na área é percebida pela docente desde os tempos de estudante, quando ela era uma das sete alunas em uma turma de 35 estudantes. À medida que foi avançando na academia, a presença feminina – enquanto alunas ou professoras – foi caindo. Esse é um dos motivos que fazem com que Jaqueline seja engajada na representatividade feminina: “Ser mulher é ser resistência. Hoje em dia temos uma comunidade muito machista, então, temos que resistir todos os dias para dizer que estou aqui e vocês vão ter que conviver comigo”.

Nascida em Roraima, Jaqueline se considera brasiliense de coração, já que mora na capital federal desde a infância. Em 2023, foi ganhadora pelas Américas do Sul e Central e Região do Caribe do prêmio Science, She Says! Award, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália. Para ela, a premiação significa o reconhecimento do setor científico do impacto da pesquisa brasileira e, sobretudo, daquela feita por mulheres.

A marca da gestão dela na SBM é promover a diversidade com o objetivo de trazer diferentes olhares para a matemática, levando o conhecimento para a realidade das pessoas. Uma das ações é a construção de um código de ética e conduta. “Queremos que a comunidade se preocupe com a diversidade, ampliando a presença de mulheres nesses espaços e de pessoas das regiões Norte e Nordeste, locais que acabam sendo sub-representados”, pontua.

Vivências

“Ser mulher, para mim, é isso. É ser forte, é conseguir se reinventar e não desistir, ainda mais quando se é mãe”

Hélia Santos, massagista

Entre as mulheres que estão longe dos holofotes, mas lutam para ser protagonistas da própria história, está Hélia Maria Santos, 66 anos. A massagista é natural de Aracaju (SE) e veio para o DF ainda criança para trabalhar na casa de uma família na Asa Norte. Sem acesso a escola, nem a salário, ela passou por dificuldades e impedimentos, perdendo o direito de viver livremente na adolescência.

Aos 20 anos, conseguiu sair da casa da família que a trouxe para Brasília e foi morar com amigas. Por não ter completado os estudos, Hélia não encontrou outra possibilidade de emprego que não o doméstico – dessa vez, porém, remunerado. A profissão não era a dos sonhos da sergipana; pesava o fato de já ser mãe, e ela decidiu iniciar a capacitação como massagista.

A massagista Hélia Santos investiu no empreendedorismo e mudou a vida de toda a família | Foto: Arquivo pessoal

O novo ofício abriu os caminhos do empreendedorismo e da independência para Hélia, permitindo que ela desse um novo rumo para o destino da família. “Consegui criar meus filhos sozinha e dar estudo para eles. O mais velho tem 30 anos e se formou em ciências da contabilidade; já a mais nova está com 26 e estuda biomedicina”, conta.

Para ela, a palavra mulher é sinônimo de força e resiliência: “Ser mulher, para mim, é isso. É ser forte, é conseguir se reinventar e não desistir, ainda mais quando se é mãe. É correr atrás de sonhos e levantar todos os dias com um sorriso no rosto apesar de tudo”.

O sentimento ao ver o diploma do filho e a dedicação da filha em estudar é de felicidade. “Não tenho palavras para descrever, fico muito feliz mesmo. Depois de tanta dificuldade, conseguimos. Ainda não estou totalmente realizada, porque a minha mais nova ainda está cursando, mas está próximo de chegar a nossa vitória também”, diz.

Atualmente, ela tem o próprio espaço de atendimento na Asa Norte e muita vontade de viver. “Hoje me sinto bem e espero que continue assim para ver meus filhos triunfando, acompanhar o crescimento dos meus netos”, conta. “Quero ter uma velhice boa. Faço academia e me cuido espiritualmente, acho importante. E me sinto uma mulher jovem, como se tivesse 50 e poucos anos. Tenho muita garra e muita força, não pretendo parar tão cedo. Quero terminar o ensino fundamental e fazer o curso de fisioterapia.”.

SUS teve recorde com 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025

Por Kleber Karpov O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou...

Em 2o turno António José Seguro (PS) é eleito novo presidente de Portugal

Por Kleber Karpov António José Seguro, do Partido Socialista (PS),...

Campanha Criança não é Adulto leva conscientização e prevenção ao abuso infantil

Por Kleber Karpov A campanha Criança não é Adulto, da...

“O Estado precisa chegar antes”, diz Márcia Lopes ao detalhar Pacto Nacional contra o Feminicídio

Por Kleber Karpov A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, detalhou...

UBS 5 de Taguatinga atende a mais de 50 pacientes em pequenos procedimentos

Por Kleber Karpov Mais de 50 pacientes receberam atendimento em...

Vigilância Sanitária fiscaliza blocos de Carnaval do DF

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...

STF ouve Alexandre Ramagem, condenado prisão foragido nos EUA

Por Kleber Karpov O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, foragido nos...

Covid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil

Por Kleber Karpov Ao menos 29 brasileiros faleceram em janeiro...

Destaques

SUS teve recorde com 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025

Por Kleber Karpov O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou...

Em 2o turno António José Seguro (PS) é eleito novo presidente de Portugal

Por Kleber Karpov António José Seguro, do Partido Socialista (PS),...

Campanha Criança não é Adulto leva conscientização e prevenção ao abuso infantil

Por Kleber Karpov A campanha Criança não é Adulto, da...

“O Estado precisa chegar antes”, diz Márcia Lopes ao detalhar Pacto Nacional contra o Feminicídio

Por Kleber Karpov A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, detalhou...

UBS 5 de Taguatinga atende a mais de 50 pacientes em pequenos procedimentos

Por Kleber Karpov Mais de 50 pacientes receberam atendimento em...