Por Kleber Karpov
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta segunda-feira (08Jun) a Operação Gemini, que investiga um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), um deputado estadual e um advogado sob suspeita de venda de sentenças e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao desembargador Dirceu dos Santos, ao deputado estadual Faissal Calil (PL) e ao advogado Bruno Castro, apontado como intermediário no esquema.
Segundo a PF, os investigados são alvos de apuração por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. As medidas cautelares incluem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos três envolvidos. A operação foi desencadeada a partir de indícios de que decisões judiciais eram proferidas mediante pagamento de vantagens indevidas.
O deputado Faissal Calil, ex-servidor do TJMT e ex-assessor do gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, negou qualquer envolvimento com o esquema. Em declaração à imprensa local, afirmou ter entregue voluntariamente seu celular e senha aos agentes federais. “Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato”, disse o parlamentar, ao se referir ao magistrado.
Antecedentes e movimentações financeiras
Dirceu dos Santos já respondia a um processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou seu afastamento cautelar das funções no início de março. A medida foi motivada por indícios de movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos de um magistrado. De acordo com quebras de sigilo já autorizadas pelo CNJ, o desembargador movimentou, nos últimos cinco anos, mais de R$ 14,6 milhões — valor muito superior aos R$ 1,9 milhão que recebeu como rendimentos oficiais no mesmo período.
Em nota, o CNJ informou que “foram identificados indícios de que o magistrado requerido proferiu decisões mediante o possível recebimento de vantagens indevidas, realizando a intermediação de atos decisórios por intermédio de terceiros, empresários e advogados”. O afastamento do desembargador não tem prazo determinado e deve perdurar ao menos até a conclusão das investigações.
Santos e com Castro foram acionados por Agência Brasil, porém sem sucesso. O TJMT também, ainda não se manifestou oficialmente sobre as investigações em curso.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










