20.5 C
Brasília
07 mar 2026 04:24

Especialistas em saúde criticam ampliação de Ensino à Distância em cursos da área

Segundo conselho federal, vagas de ensino a distância em cursos de farmácia passaram de 275 mil em 2017 para 2 milhões em 2022

Por Emanuelle Brasil

Especialistas da área de saúde criticaram nesta segunda-feira (5) o que classificam de mercantilização do ensino superior com o aumento da oferta de cursos de ensino à distância (EaD) autorizados pelo Ministério da Educação (MEC), sobretudo por instituições privadas. O assunto foi debatido na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Durante a reunião, a principal crítica foi em relação à atual política de estímulo à EaD adotada pelo ministério. De um lado, houve ampliação da oferta de cursos à distância; de outro, o aumento de aulas na modalidade EaD em universidades federais, que passou de 20% para 40% do currículo, em 2019.

Em recente decisão, o ministério voltou atrás em algumas áreas e proibiu, de forma temporária, a abertura de novos cursos de graduação para direito, odontologia, psicologia e enfermagem, na modalidade EaD.

Para o representante do Conselho Federal de Psicologia, Jefferson Bernardes, o EaD não se aplica às carreiras que exigem contato com o paciente.

“A EaD na psicologia, assim como em outras áreas da saúde agrava a já insuficiente qualidade do cuidado, expondo a população a crescentes riscos. Afirmar a presencialidade é defender os direitos da população”, frisou.

Qualidade da formação

Contrária à EaD para psicologia, a representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano, defendeu que o ensino à distância seja aplicado com limitações, sob o risco de desvalorizar o trabalho docente e comprometer a qualidade da formação.

“As tecnologias são importantes, mas o limite de 40% é fundamental”, disse. “A EaD funciona como mercadoria e queremos marcar que saúde não é mercadoria”, complementou.

Zilamar: aumento de vagas é algo inédito e que não ocorre em nenhum lugar no mundo- Foto: Bruno Spada/Agência Câmara

Na mesma linha, falou a representante do Conselho Federal de Farmácia, Zilamar Fernandes:

“Ocorre uma flexibilização muito grande por parte do MEC legislando e incentivando o EaD através de avaliações somente na sede, substituição de aulas presenciais independentemente do conteúdo, entre outros”, disse.

Conforme ela, as vagas de EaD autorizadas pelo MEC passaram de 275 mil em 2017 para 2 milhões em 2022. “Isso significa um aumento na ordem de 600%, algo inédito que não ocorre em nenhum lugar no mundo”, frisou Fernandes.

Regulamentação

Nesse ponto, o representante do MEC, Paulo Meyer, defendeu que a regulamentação poder ter impacto na melhora da qualidade do ensino:

“A oferta à distância é importante para acesso à educação de alguns segmentos da população. É evidente que isso deve ser feito com muito cuidado, observado a especificidade de cada curso, inclusive no que tange à prática e estágio”, disse. Ele observou que o espaço da EaD na formação profissional é definido pela grade curricular de cada carreira.

Por sua vez, a deputada Enfermeira Ana Paula (PDT-CE) elogiou a decisão do MEC de formar grupo de trabalho no início do ano para tratar da oferta de cursos EaD.

“Foi um avanço porque o MEC compreendeu que precisava naquele momento dar uma parada para se reorganizar e instituir o GT”, disse. “Estamos mais próximos do que nunca de ter uma regulamentação do EaD”, acrescentou a parlamentar.

Avaliação

A representante das universidades particulares, Elizabeth Guedes, reconheceu que o EaD na área da saúde é um tema complexo, ainda mais sem sistema de avaliação e em um mercado desregulado.

“O MEC e o Estado brasileiro são omissos em relação à avaliação, com isso os maus players olham a lei e pensam em como burlá-la para ganhar dinheiro”, disse.  “Enquanto os Estado não punir os mantenedores que estão operando mal, vamos ver profissionais mal formados”, complementou.

Nesse ponto, o deputado Idilvan Alencar (PDT-CE) afirmou que vai apresentar projeto de lei para para obrigar o MEC a fazer avaliação de cursos nos polos de EaD, a qual não será limitada à área de saúde.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos, indica estudo do Butantan

Por Kleber Karpov Um novo estudo conduzido pelo Instituto Butantan,...

SUS inicia tratamento inédito contra malária em crianças com medicamento de dose única

Por Kleber Karpov O Ministério da Saúde iniciou, na quinta-feira...

STF nega conversas entre ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro

Por Kleber Karpov O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo...

Moraes vota por tornar Malafaia réu por ofensa ao Comando do Exército

Por Kleber Karpov O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo...

Vigilância Sanitária intensifica fiscalização de clínicas de estética no DF

Por Kleber Karpov A Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde...

Pesquisa internacional no HRT avalia nova ferramenta para rastrear neuropatia diabética

Por Kleber Karpov A Unidade de Endocrinologia do Hospital Regional...

Destaques

Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos, indica estudo do Butantan

Por Kleber Karpov Um novo estudo conduzido pelo Instituto Butantan,...

SUS inicia tratamento inédito contra malária em crianças com medicamento de dose única

Por Kleber Karpov O Ministério da Saúde iniciou, na quinta-feira...

STF nega conversas entre ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro

Por Kleber Karpov O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo...

Encontro marca início de nova etapa de formação em cursos técnicos da Escola de Saúde Pública do DF

Por kleber Karpov Estudantes dos quatro cursos técnicos da Escola...

Moraes vota por tornar Malafaia réu por ofensa ao Comando do Exército

Por Kleber Karpov O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo...