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15 abr 2026 20:21

Pesquisa internacional no HRT avalia nova ferramenta para rastrear neuropatia diabética

Estudo busca validar método de diagnóstico rápido para prevenir amputações e outras complicações graves da doença

Por Kleber Karpov

A Unidade de Endocrinologia do Hospital Regional de Taguatinga (Uendo/HRT) iniciou, no final de janeiro, um estudo internacional para validar uma nova ferramenta de rastreamento da neuropatia periférica do diabetes (NPD). A pesquisa, conduzida em parceria com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), tem como objetivo acelerar a detecção precoce de complicações da doença, como úlceras e dores, a fim de prevenir consequências graves, incluindo amputações em pés e pernas.

A iniciativa é coordenada cientificamente pela Universidade de Cornell de Doha, no Catar, e avalia a eficácia da ferramenta A New Simple sCreening Tool (ACT). O principal objetivo é, após a validação científica, incorporar o instrumento à rede pública de saúde, com foco especial na Atenção Primária à Saúde (APS), para simplificar o diagnóstico.

A endocrinologista Hermelinda Cordeiro Pedrosa, vice-presidente da IDF e investigadora principal do estudo, destaca o potencial de integração do método. A ideia é que equipes da APS possam identificar rapidamente pacientes com risco e encaminhá-los para avaliação especializada, otimizando o fluxo de atendimento na rede pública.

“Com a utilização da ACT, equipes da APS poderão verificar, de forma simples e rápida, pessoas que convivem com diabetes e, se for o caso, encaminhá-las a uma avaliação com especialistas na Uendo/HRT, integrando os serviços da rede pública”, disse Hermelinda Cordeiro Pedrosa.

Funcionamento da ACT

A aplicação da ferramenta ACT ocorre em duas etapas. Inicialmente, o paciente responde a um questionário com cinco perguntas sobre sintomas neuropáticos, como formigamento, queimação e dormência, pontuando o nível de desconforto. Em seguida, um médico ou profissional de enfermagem realiza testes clínicos simplificados.

A participação no estudo requer apenas uma visita presencial, e os voluntários recebem auxílio financeiro para o transporte. O projeto de pesquisa também está em andamento no Catar, na Tailândia e na Índia. No Brasil, o trabalho é apoiado pela Sociedade Brasileira de Diabetes Regional (SBD-DF) e compara a nova ferramenta com métodos já consolidados, como o Rastreamento de Michigan (EUA) e o DN4 (França).

Participação no estudo

Estudo inclui testes clínicos aplicados após o paciente responder a um questionário que apura a existência de sintomas neuropáticos | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

A meta da investigação no Brasil é recrutar 300 voluntários. Podem participar pessoas entre 18 e 70 anos com diagnóstico de diabetes tipo 1 ou 2. Os interessados que são usuários do SUS podem entrar em contato com a equipe da Uendo/HRT pelo e-mail [email protected] para verificar a elegibilidade.

A endocrinologista Flaviene Romani, integrante da equipe de pesquisa, detalha os critérios de exclusão. Não podem participar do estudo pessoas com condições que possam interferir no diagnóstico de neuropatia, como hipotireoidismo descompensado, deficiência de vitamina B12 ou hanseníase.

“São excluídas pessoas com condições que possam interferir na neuropatia, como hipotireoidismo descompensado, deficiência de vitamina B12 ou hanseníase e hemoglobina glicada 11%”, detalhou Flaviene Romani.

Complicação silenciosa

A neuropatia periférica diabética é uma alteração nos nervos que afeta principalmente pernas e pés. Embora possa causar dor e perda de sensibilidade, em cerca de metade dos casos a condição evolui de forma silenciosa, sem sintomas aparentes, o que favorece o surgimento de úlceras.

“Na prática, muitas pessoas com diabetes já apresentam NDP e desconhecem a sua presença. O rastreamento possibilita o diagnóstico precoce e, em alguns casos, pode reverter o quadro ou retardar a progressão da complicação”, afirmou Flaviene Romani.

Qualidade de vida

A detecção precoce da NPD pode reduzir significativamente os impactos assistenciais no Sistema Único de Saúde (SUS). Patrícia Carvalho, chefe da Uendo/HRT, explica que o tratamento de complicações avançadas, como uma úlcera, exige uma abordagem multidisciplinar complexa e de alto custo, afetando diretamente a vida do paciente e de seus familiares.

Wendel Araújo, de 48 anos, é um dos participantes e considera a contribuição para pesquisas essencial para o avanço dos tratamentos. “Considero o estudo muito importante. Diabetes é uma condição complexa, e qualquer progresso que melhore a qualidade de vida é bem-vindo”, disse ele.

 

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