Por Kleber Karpov
Em alusão ao Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, celebrado em 4 de março, o infectologista Marcelo Cordeiro destacou a vacinação como ferramenta crucial na prevenção de diversos tipos de câncer. A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) representa um significativo desafio de saúde pública no Brasil. Embora dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontem que o país superou a média global de vacinação em 2024, a cobertura desigual no território nacional exige atenção para reduzir o impacto do vírus, responsável por cânceres como o de colo de útero, ânus, pênis e orofaringe.
Cobertura vacinal
Informações divulgadas pela OMS em agosto de 2025 indicam que, em 2024, o Brasil alcançou uma cobertura vacinal de 82% entre meninas de 9 a 14 anos e de 67% entre meninos na mesma faixa etária. Apesar do avanço expressivo, a imunização ainda é heterogênea no território nacional, com algumas regiões apresentando índices considerados preocupantemente baixos.
Essa desigualdade compromete o impacto populacional da estratégia de prevenção. A meta estabelecida para o país é atingir 90% de cobertura, patamar essencial para que o Brasil possa avançar na eliminação do câncer de colo do útero como um problema de saúde pública até o ano de 2030.
“O HPV é uma infecção comum, mas não podemos subestimá-la. Felizmente, hoje temos ferramentas eficazes para prevenir a infecção, detectar sinais precoces e, muitas vezes, interromper a progressão para doenças graves”, afirma o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde.
Eficácia comprovada
A vacina atua estimulando o organismo a produzir anticorpos que impedem a instalação e a persistência de subtipos de alto risco do HPV nas células. O desenvolvimento de tumores está diretamente ligado à infecção persistente, o que torna a imunização uma barreira eficaz contra a progressão da doença.
“A imunização produz anticorpos capazes de impedir que os subtipos de alto risco se instalem e permaneçam nas células. Como o desenvolvimento do câncer está diretamente ligado à infecção persistente, ao evitar essa permanência do vírus estamos interrompendo o processo que poderia, anos depois, evoluir para um tumor”, explica Cordeiro.
A eficácia da estratégia é corroborada por estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As pesquisas indicam que a vacinação contra o HPV está associada a uma redução de até 58% nos casos de câncer de colo de útero e de 67% nas lesões pré-cancerosas graves entre mulheres jovens.
Novas indicações
Além da vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a rede privada oferece a vacina nonavalente, que amplia a proteção ao cobrir nove subtipos do vírus, incluindo cinco de alto risco não contemplados na versão quadrivalente. Este imunizante é indicado para homens e mulheres com até 45 anos, mediante avaliação médica.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a reconhecer oficialmente que a vacina nonavalente também previne cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. Essa nova indicação se soma às já existentes para a prevenção de câncer do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus, além de lesões pré-cancerosas e verrugas genitais.Prevenção além da vacina
O especialista ressalta que a prevenção contra o HPV envolve uma abordagem multifacetada. Além da imunização, é fundamental a promoção de hábitos sexuais seguros, como o uso do preservativo, e o fortalecimento do rastreamento por meio de exames laboratoriais e clínicos, como os de genotipagem.
“A adoção de exames de rastreamento adequados, como citologia e testes moleculares que identificam o DNA do HPV, permite identificar alterações celulares antes que evoluam para um câncer”, completa o infectologista.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













