Por Kleber Karpov
Um estudo inédito, divulgado nesta terça-feira (02/Dez), estima que as apostas online e os jogos de azar provocam perdas anuais de R$ 38,8 bilhões ao Brasil. O valor calculado engloba danos sociais e econômicos, como custos com saúde, afastamentos do trabalho, desemprego e suicídios. A pesquisa “A saúde dos brasileiros em jogo” foi realizada em parceria entre o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), a Umane e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM).
A análise aponta que 78,8% das perdas, o equivalente a R$ 30,6 bilhões, estão relacionadas à saúde. Os pesquisadores projetaram os custos com base em estudos internacionais e dados nacionais. O levantamento indica R$ 17 bilhões em perdas por mortes adicionais por suicídio e R$ 10,4 bilhões pela redução da qualidade de vida associada à depressão.
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O tratamento médico para quadros depressivos representa um custo de R$ 3 bilhões. Outros impactos incluem R$ 4,7 bilhões relacionados ao encarceramento por atividades criminosas, R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego e R$ 1,3 bilhão devido à perda de moradia.
O documento destaca a relação entre o transtorno do jogo e o agravamento de condições de saúde mental. “Estudos internacionais recentes demonstram a associação entre o transtorno do jogo e o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio”, afirma o texto.
Desequilíbrio financeiro
O estudo aponta uma disparidade entre os custos sociais e a arrecadação gerada pelo setor. As apostas, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, geraram R$ 8 bilhões em tributos até outubro de 2025. Mesmo com a projeção anual de R$ 12 bilhões em arrecadação, o valor é inferior ao custo social estimado.
“O contraste entre a arrecadação – ainda que consideremos a projeção anual de R$ 12 bilhões – e o custo anual estimado de R$ 38,8 bilhões revela uma conta que não fecha do ponto de vista do interesse público”, ressalta o relatório.
Atualmente, as empresas de apostas pagam 12% sobre a receita bruta. Apenas 1% desse montante é destinado ao Ministério da Saúde (MS). O estudo critica a falta de vinculação desses recursos com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mercado de trabalho
A pesquisa também questiona o impacto econômico positivo do setor. Dados do Ministério do Trabalho indicam que a atividade gerou apenas 1.144 empregos formais. A análise sugere que a maior parte da receita não se converte em renda para os trabalhadores.
“Enquanto cada trabalhador formal no setor gera cerca de R$ 3 milhões mensais em receitas para as empresas, ele próprio recebe uma fração mínima (0,34%) desse valor”, aponta o estudo.
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica ainda, em 2024, um alto índice da informalidade que atinge 84% dos trabalhadores no setor, esses, sem contribuições com a previdência social. Índice superior à média nacional de 36%.
Regulação e prevenção
A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, defende a implementação de medidas de proteção. “A prática está sendo incentivada por um lobby comercial poderoso, ainda que às custas da saúde do povo brasileiro”, afirmou à Agência Brasil.
O estudo sugere ações baseadas no modelo britânico, como a autoexclusão de usuários, restrições à publicidade e destinação de recursos para tratamento de saúde. Entre as propostas para o Brasil estão o aumento da tributação destinada à saúde, a proibição de propagandas e a capacitação de profissionais do SUS.
“Se o Estado entende que a legalização é um caminho sem volta, ele precisa mitigar os danos causados pelas empresas de apostas e assegurar mecanismos sólidos de redução de danos”, conclui Rebeca.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa as principais empresas do setor, manifestou-se contra o aumento da tributação, argumentando que a medida pode fortalecer o mercado ilegal.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













