Por Kleber Karpov
A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas) autorizou, nesta sexta-feira (22/Mai), o início da implantação da rede de iluminação pública no Assentamento Dorothy Stang, em Sobradinho. A governadora Celina Leão assinou a ordem de serviço para o projeto, que será executado pela CEB IPes com um investimento de R$ 134.275,22. A iniciativa instalará 186 novos pontos de luz com tecnologia LED ao longo de 5,9 quilômetros de vias, beneficiando diretamente cerca de 4 mil moradores que até então não possuíam o serviço na região.
A nova rede de iluminação utilizará exclusivamente luminárias de LED, tecnologia que oferece maior durabilidade e eficiência. Segundo Celina Leão, a obra, que tem início imediato, representa um avanço significativo na segurança da comunidade. “Para as mães é muito, uma filha que chega dos estudos à noite em casa, que anda sozinha sem luz, eu sei o que é isso, porque eu sou mulher. […] para nós, que somos mulheres, andar sozinha, à noite, sem iluminação, é duplamente desafiador”, destacou.
O projeto é resultado de um mapeamento das áreas mais necessitadas do Distrito Federal, conforme explicou a governadora. “Fizemos um planejamento, tínhamos muitas reclamações sobre a iluminação pública. Além de resolver o problema, nós mapeamos as áreas mais necessitadas do Distrito Federal para chegar com luz. É chegar, ver o problema e resolver”, acrescentou Celina Leão.
O presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), Elie Issa El Chidiac, reforçou os benefícios da iniciativa. “Certamente, isso vai trazer conforto, segurança e qualidade de vida para a população aqui. […] A tecnologia LED vai trazer mais luminosidade e segurança para a população”, ressaltou. Para o administrador regional de Sobradinho, Paulo Izidoro, a obra elimina as “gambiarras” e atende a uma antiga reivindicação dos moradores.
Um marco na história da comunidade
O Assentamento Dorothy Stang possui uma história marcada pela luta por moradia popular no Distrito Federal, tendo se formado a partir de ocupações de famílias de baixa renda. O nome é uma homenagem à missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005 no Pará por sua defesa de trabalhadores rurais e populações vulneráveis. A chegada da iluminação pública é mais um passo no processo de consolidação urbana da área. Em 2024, a comunidade já havia conquistado o acesso à água encanada, um projeto que recebeu investimento superior a R$ 11 milhões. O processo de regularização fundiária da região foi iniciado no final de 2020.
Durante o evento de assinatura da ordem de serviço em 22 de maio, a governadora anunciou que outras melhorias estão previstas. “Não vai chegar só a energia. Nós vamos trazer drenagem, asfalto e tudo aquilo que o Dorothy precisa, porque a gente sabe que vocês precisam”, disse Celina Leão ao observar que “A regularização também está andando, porque nós demos essa determinação”, concluiu.
Dignidade e alívio para os moradores
Para os residentes, a nova infraestrutura representa mais do que apenas luz: é um símbolo de dignidade e respeito. Rita de Cássia, líder da Associação de Moradores, Lutadores e Apoiadores do Residencial Dorothy Stang, celebrou a conquista após uma década de espera. “Imagina você ter seus filhos descendo da parada de ônibus lá embaixo e subir tudo isso aqui a pé à noite, com buracos. Nossa comunidade tem muitos idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Agora, a gente vai se sentir muito mais seguro e digno. Podemos dizer que temos políticas públicas no Dorothy Stang. Assim como chegou a água, agora está chegando a luz. É uma conquista da comunidade”, comemorou.
A dona de casa Odete Freitas de Oliveira, moradora há dez anos, compartilhou o sentimento de alívio, principalmente pela segurança de sua filha. “Eram muitas dificuldades. Minha filha faz atletismo e descia a rua no escuro. Agora, vai ter iluminação e eu vou ficar mais despreocupada. Para nós, que lutamos tanto aqui dentro, hoje é um dia de alegria e vitória”, destacou. Também a terapeuta ocupacional Silvia Secundo, que vive no bairro desde o início da ocupação, reforçou a importância da obra como um direito básico. “São mais de dez anos esperando por isso. A maior conquista é a dignidade, porque a gente trabalha, paga imposto e quer ter o direito de chegar em casa com segurança”, disse.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.









