Por Kleber Karpov
“Nós apostamos na governadora Celina [Leão] como um governo de continuidade daquilo que nós plantamos e de onde nós tiramos o desastre do DF. Infelizmente, ao longo dos últimos dias, nós tivemos muitas decepções. Isso não quer dizer rompimento, mas quer dizer um realinhamento de posições porque o MDB é um partido grande e nós vamos nos manter como um partido grande”, essas foram as palavras do ex-governador do DF, Ibaneis Roma (MDB), pré-candidato ao Senado Federal, proferidas ao lado do presidente nacional da legenda, deputado federal, Baleia Rossi (SP), o colega da Câmara dos Deputados, Rafael Prudente (DF), além do distrital, Wellington Luiz, presidente da Câmara Legislativa do DF (CLDF), ao anunciar o rompimento da parceria com a governadora do DF, Celina Leão (Progressistas), a qual o próprio lançou a pré-candidata, em 2023, para o suceder no Palácio do Buriti.

As declarações de Rocha são icônicas por uma série de fatores que valem a pena relembrar. A gestão do Distrito Federal foi alçada internacionalmente à condição de párea da sociedade brasileira, em decorrência da inação e inabilidade no trato com as autoridades, em especial com a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber no evitável 8 de janeiro de 2023. E, Celina Leão, assumiu as rédeas da Capital Federal e deu a ‘cara a tapa’ para lidar com as consequências do desastre que virou o ato de vandalismo na Praça dos Três Poderes, ao ser confrontada pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Episódio esse, totalmente evitável, se o governo do Distrito Federal, tivesse feito o bom uso do aparato de segurança da Unidade Federativa, para conter, prender e evitar os atos de vandalismos protagonizados em 12 de dezembro de 2022, com a tentativa, de invadir a sede da Polícia Federal após prisão de manifestante contrário à posse do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Também foi Celina Leão que assumiu as rédeas da Capital Federal e teve que lidar com a intervenção, por parte do governo federal, sobre a Segurança Pública do DF e, mais ainda, ao próprio afastamento do então governador, por mais de 60 dias, no momento em que o DF, além do vexaminoso ato do 8 de janeiro, também lidava com uma epidemia de dengue, a maior do Distrito Federal, das últimas décadas e, que com maestria consegui mobilizar toda estrutura do governo e reverter o quadro ao longo dos meses.
Não menos importante, por mais de uma vez, foi Celina Leão, que enfrentou a tentativa de retaliação e retirada do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e, posteriormente, articulou para demover deputados e senadores da tentativa de adoção de mudanças que retirariam parte relevante do FCDF. A Leoa que mobilizou CLDF, Tribunal de Contas do DF (TCDF) e a sociedade civil organizada para pressionar o Congresso, de modo a garantir a manutenção do recurso, proveniente do governo federal, mantem o custeio da Segurança, Saúde e Educação do DF.
Isso remete a outro episódio, que transformou o discurso do ex-governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), sobre a herança maldita de R$ 5 bilhões do antecessor, Agnelo Queiroz (PT), e que o próprio Rocha também utilizou o mesmo argumento, em 2019, após ser eleito em primeiro mandato, ao informar o rombo deixado por Rollemberg, de R$ 6 bilhões. Isso ao deixar à Celina Leão, ainda que involuntariamente, uma surpresinha que de R$ 2 bilhões, pode superar os R$ 20 bilhões, apenas no Banco de Brasília, ao se considerar que o BRB está em fase de acordo para a venda por R$ 15 bilhões de ativos originários do Banco Master a um fundo de investimento, valor esse com deságio que originalmente supera os R$ 22 bilhões.
Isso, somado a outros ‘penduricalhos’, conforme indicou o atual secretário de Estado de Economia do DF (SEEDF), Valdivino de Oliveira, um déficit que ultrapassa R$ 2,7 bilhões. Fala essa de Oliveira, prontamente rebatida por Rocha, que afirmou ter controle sobre a situação. Mas, a pergunta que não quer clara é: será que Rocha ao se referir a muitas decepções, fez alusão a fala de Oliveira?
Ou será que o ex-governador ficou magoado por Celina Leão afirmar que não tem compromisso com erro e lembrar que na administração pública, cada um responde com o próprio CPF, ao deixar claro e reiterar a inexistência de qualquer relação com o ex-banqueiro e presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro? Fato é que Rocha, com diversas realizações e méritos na gestão do Distrito Federal, salvo estivesse a se referir a outras decepções, prece não ter feito jus em valorar tão baixo tal referência a uma Leoa que bem uma biografia de entregas ao DF, e que tanto segurou o governo do emedebista.









