Por Kleber Karpov
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na sexta-feira (06/Mar), o registro do QFITLIA® (fitusirana sódica), um novo medicamento para o tratamento de hemofilia no Brasil. Desenvolvido pela empresa Sanofi Medley, o produto é indicado para pacientes a partir de 12 anos e poderá ser utilizado para prevenir ou reduzir a frequência de episódios de sangramento em pessoas com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação.
A hemofilia é uma condição genética rara, ligada ao cromossomo X e que se manifesta quase exclusivamente em homens. A doença é caracterizada pela deficiência de proteínas essenciais para a coagulação do sangue, resultando em sangramentos prolongados. A hemofilia A, causada pela falta do fator VIII, é a mais comum, enquanto a hemofilia B decorre da ausência do fator IX.
Dados do relatório Perfil de Coagulopatias, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que o Brasil possui 14.202 pacientes diagnosticados com a condição. Desse total, 11.863 apresentam hemofilia A e 2.339 vivem com o tipo B. A análise do medicamento pela Anvisa foi priorizada por se tratar de uma doença rara.
O tratamento com fitusirana sódica representa uma mudança significativa nos protocolos terapêuticos. Atualmente, os pacientes necessitam de infusões endovenosas de três a quatro vezes por semana. Com a nova terapia, a aplicação passa a ser subcutânea, com uma dose a cada dois meses, o que simplifica a administração e reduz a carga do tratamento.
Qualidade de vida
Para a presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Tania Maria Onzi Pietrobelli, a aprovação do medicamento é um avanço aguardado que trará mais qualidade de vida para pacientes e familiares. A forma de aplicação menos invasiva e de longa duração é um dos principais benefícios destacados por ela.
“Como a hemofilia é uma condição crônica, isso limita a qualidade de vida dos pacientes e familiares. Com essa nova tecnologia as pessoas poderão viver sem focar na doença, tendo o direito de viver plenamente”, ressaltou a presidente da FBH.
Pietrobelli também aponta que a aprovação resulta em maior autonomia para os pacientes e melhorias na logística do sistema de saúde. A redução da frequência de visitas aos centros de tratamento pode diminuir a sobrecarga nessas unidades, permitindo um atendimento mais personalizado.
A presidente da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, Mariana Battazza, comentou sobre os desafios relacionados à continuidade do tratamento. Ela citou uma pesquisa da associação que aponta dificuldades na adesão aos protocolos atuais.
“Atualmente, o que percebemos em nossa pesquisa Jornada dos pacientes com hemofilia A e B no Brasil é que o desfecho dos tratamentos com fator de coagulação são piores do que o imaginado porque as barreiras de adesão ao tratamento são muito grandes”, destaca.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.












