Por Kleber Karpov
Uma nova audiência de conciliação sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília (BRB), realizada nesta quinta-feira (13/Ago) no Supremo Tribunal Federal (STF), terminou sem avanços concretos. O encontro, mediado pelo ministro Luiz Fux, foi marcado por trocas de declarações entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Apesar do impasse, representantes do GDF, do BRB e de órgãos federais concordaram em manter as negociações para destravar o crédito, solicitado para cobrir um rombo no balanço patrimonial da instituição financeira.
Clima de tensão na audiência

A reunião foi convocada a pedido do governo distrital, que acusou os órgãos federais de “inércia” no cumprimento de um acordo homologado em maio pelo STF. Durante o encontro, Celina Leão cobrou a efetivação do que foi pactuado.
“Eu não estou vindo pedir uma decisão judicial, eu tenho uma decisão judicial. Venho pedir o cumprimento das partes. O que a gente tem é uma série de exigências, até sobre Centrad, ministro, que não tem nada a ver com a história do BRB”, declarou a governadora.
Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal está empenhado em ajudar, mas que a responsabilidade pela crise não é da União.
“A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis. A União foi trazida para esse debate e, com muita boa vontade, apresentamos soluções para além de ficar criando dificuldade”, rebateu Durigan.
O ministro também criticou a ideia de que a União deva garantir a operação. “Não cabe a ninguém sugerir, muito menos ao FGC, a qualquer banco, que a solução é o aval da União, porque o aval da União todo mundo quer. […] Achar que nós temos que socializar os problemas, socializar a responsabilidade com a sociedade brasileira como um todo, isso não é correto”, completou.

Os entraves para o empréstimo
O acordo para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, a ser concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), está travado há três meses. O principal obstáculo é a resistência do consórcio de bancos públicos e privados que deveriam atuar como avalistas da operação. A hesitação se deve ao fato de o BRB não divulgar seus balanços há um ano, o que gera incertezas sobre sua real situação financeira.
Existe o temor no mercado de que o valor solicitado não seja suficiente para sanear as contas do banco. Além disso, o FGC informou ao STF que ainda não recebeu todas as informações necessárias para a análise, cobrando os balanços de 2025 e 2026. O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou a exigência, argumentando que o empréstimo será tomado pelo governo, e não diretamente pelo banco.
Outro receio é que o uso de cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM) como contragarantia seja contestado judicialmente, pois os recursos são destinados a serviços essenciais.
A origem da crise no BRB
A crise financeira do BRB está ligada a operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um suposto esquema de fraudes bilionárias nessas transações. As investigações levaram à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em abril deste ano.
O próprio BRB estima que ao menos R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, configurando o chamado “crédito podre”. O governo distrital afirma conseguir recuperar R$ 2,2 bilhões por outros meios, necessitando do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir o restante do prejuízo.
Risco de liquidação e urgência do GDF
A urgência do Governo do Distrito Federal em obter os recursos foi explicitada por Celina Leão em declaração recente. Segundo a governadora, a publicação dos balanços financeiros antes da capitalização do banco poderia levar à sua dissolução.
“O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado”, afirmou a governadora.
A declaração confirma a percepção do mercado de que o BRB opera abaixo dos limites prudenciais mínimos exigidos pelo Banco Central, conforme as normas do Acordo de Basileia. A estratégia do GDF é injetar os R$ 6,6 bilhões no caixa do banco e, somente após essa medida, divulgar os relatórios pendentes, demonstrando que a instituição voltou à normalidade operacional.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;












