Por Kleber Karpov
O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro, inaugurou neste sábado (27/Jun) a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que contou com a presença do ministro da Saúde Alexandre Padilha, visa otimizar o monitoramento de pacientes, prever riscos e priorizar atendimentos através de tecnologias de ponta. A implementação dessas UTIs busca diminuir o tempo de tratamento e a fila de espera por leitos, representando um avanço significativo na saúde pública. Os equipamentos são capazes de cruzar informações e mostrar dados relevantes diretamente no prontuário do paciente.
As UTIs Inteligentes otimizam o monitoramento de pacientes e contam com conectividade para fazer o cruzamento de informações. Os equipamentos são capazes de prever riscos e priorizar atendimentos, além de mostrar os dados mais relevantes diretamente no prontuário do paciente. As unidades recebem ainda, conexão com ambulâncias 5G, que permite a transmissão em tempo real de sinais vitais para acelerar o atendimento pré-hospitalar. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o papel da Inteligência Artificial (IA) na operação das UTIs Inteligentes. “Com o uso da Inteligência Artificial, ela pode soltar alarmes da piora daquele paciente a partir dos dados que são monitorados”, disse Padilha.
O ministro indicou ainda que a implementação de UTIs Inteligentes diminui o tempo de tratamento e a fila por atendimento no SUS. Ele ressaltou a importância da detecção precoce de mudanças no quadro clínico dos pacientes. “Você observa mais precocemente sinais de piora ou de melhora. Com isso, faz a ação, a medicação, a mudança de conduta mais rapidamente e você salva esse paciente”, afirmou Padilha ao observar o impacto da rotatividade de leitos no processo de agilização na assistência. “O paciente sai mais rápido da UTI, isso gira mais o leito, e você vai reduzindo o tempo de quem está esperando por uma UTI”, completou
Informações do ministério, indicam que o uso de tecnologias como IA e big data, para processar e analisar grandes volumes de dados, pode dividir por cinco o tempo de espera por atendimento de emergência.
Expansão da rede nacional
A UTI Inteligente do Hospital do Fundão, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faz parte de um conjunto de investimentos que criam a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, anunciada em novembro do ano passado. Ao todo, o Ministério da Saúde planeja a criação de 14 UTIs Inteligentes, com investimento de R$ 180 milhões. Serão 280 leitos distribuídos por diversas unidades hospitalares no país. Os próximos locais a receber as UTIs Inteligentes são Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Na primeira etapa de implantação, serão dez leitos em cada unidade.
A rede também prevê a adoção de cirurgia robótica, medicina de precisão e análises por IA para melhorar resultados e eficiência. Os hospitais que serão contemplados incluem:
- São Paulo/SP: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP);
- Rio de Janeiro/RJ: Hospital Federal do Bonsucesso;
- Rio de Janeiro/RJ: Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
- Belo Horizonte/MG: Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG);
- Brasília/DF: Hospital Universitário de Brasília da Universidade de Brasília (HUB -UnB);
- Salvador/BA: Hospital Geral Roberto Santos;
- Recife/PE: Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip);
- Fortaleza/CE: Hospital Geral de Fortaleza (HGF);
- Teresina/PI: Hospital Getulio Vargas;
- Belém/PA: Hospital Beneficente Portuguesa;
- Curitiba/PR: Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (Huem);
- Porto Alegre/RS: Hospital Nossa Senhora da Conceição (GHC);
- Dourados/MS: Hospital Regional de Dourados (HRD);
- Manaus/AM: Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.
O primeiro hospital inteligente do país
Ainda dentro da rede nacional, o MS destinou R$ 4,8 bilhões para a implementação e equipagem do primeiro hospital inteligente do país. O investimento também contempla o desenvolvimento de um centro de pesquisa translacional e a modernização de seis hospitais de excelência do SUS. O hospital inteligente será o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que fará parte do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O ITMI atenderá cerca de 20 mil pacientes por ano.
A unidade deve contar com 800 leitos dedicados a emergências de adultos e crianças nas áreas de neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras especialidades. O início das operações está previsto para 2027. A estrutura será integrada ao programa Agora Tem Especialistas, que atua em diversas frentes para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado. Para chegar aos recursos necessários, o Ministério da Saúde recebeu financiamento de R$ 1,7 bilhão com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, com prazo para pagamento de 30 anos.
Avanços na radioterapia
Durante a visita do ministro, o Hospital da UFRJ também inaugurou o primeiro acelerador linear da unidade. Este equipamento de ponta, cuja instalação custou R$ 3,4 milhões, reduz o tempo de realização de radioterapias. Para Padilha, as inaugurações são “mais um passo para que o SUS e a universidade pública brasileira liderem a revolução tecnológica e digital”.
A física médica Bruna Lamis, da HU Brasil, empresa que faz a gestão do hospital, explica que o equipamento de radioterapia acelera o tempo de tratamento e consegue “preservar mais os órgãos em risco no entorno do tumor”. Segundo a especialista, em comparação com máquinas tradicionais, a capacidade de realização de terapia sobe de 20 para 40 pacientes por dia. De acordo com o Ministério da Saúde, o SUS deve receber 70 desses equipamentos este ano.
O médico epidemiologista e reitor da UFRJ, Roberto Medronho, considera que investimentos no hospital universitário levarão a unidade a voltar a ter papel de vanguarda. “Voltaremos a ser o que éramos no passado. A incorporação tecnológica na área da saúde era feita nas nossas unidades aqui da UFRJ. Com iniciativas como essa, vamos voltar a ter esse mesmo protagonismo”, declarou.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.











