Por Kleber Karpov
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), anunciou que o Banco de Brasília (BRB) recebeu uma proposta de R$ 15 bilhões de um fundo de investimento para a compra de ativos originários do Banco Master. A oferta, que prevê um pagamento inicial de aproximadamente R$ 4 bilhões, foi formalizada e encaminhada ao Banco Central. A negociação surge como uma potencial solução para a crise de liquidez da instituição, um dia após a governadora garantir (09/Abr), em reunião em São Paulo com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, uma “solução definitiva” para o banco em até 30 dias.
De acordo com a governadora, a operação não envolve aporte direto de recursos do BRB ou do Governo do Distrito Federal (GDF), acionista controlador do banco. A proposta consiste, além do pagamento inicial dos R$ 4 bilhões, à vista. O valor restante seria estruturado por meio de cotas subordinadas ou outros instrumentos financeiros. O nome do fundo de investimento proponente é mantido em sigilo.
Celina Leão classificou a negociação como um sinal positivo, além de referendar a valoração dos ativos da instituição. “O investidor não colocaria R$ 4 bilhões à vista se não visse valor”, afirmou a governadora, que considera a proposta “uma notícia muito positiva para recuperar o prejuízo”.
Estratégias de recuperação e capitalização
Paralelamente à negociação dos ativos, a gestão do BRB e o GDF buscam outras frentes para estabilizar o banco. O presidente do BRB, Nelson de Souza, confirmou que a instituição oficializou um pedido de empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e abriu uma oferta para levantar até R$ 6,6 bilhões junto a grandes bancos públicos e privados.
Para viabilizar a capitalização, foi sancionada em 10 de março a Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza o GDF a buscar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. A legislação permite o uso de nove imóveis públicos como garantia, embora a governadora tenha anunciado a retirada da Gleba A, da Serrinha do Paranoá, da lista, de modo a garantir “a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica”.”
Responsabilidade
Uma das primeiras ações após assumir o governo há 12 dias, Celina Leão determinou o afastamento de 12 diretores e superintendentes do BRB. A decisão foi baseada em uma auditoria independente que analisou os negócios com o Banco Master, cujo relatório foi entregue à Polícia Federal para embasar investigações.
Mais que isso, a Leoa, como é conhecida, prontamente tomou a ‘rédea’ da demanda do BRB, e endossou a necessidade de investigações, de responsabilizações e solicitou o afastamentos de diretores e supervisores envolvidos no caso.
Celina Leão se antecipou ainda ao se reunir, na quinta-feira (10/Abr) em São Paulo, com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, com o intuito de posicionar ao presidente, além dos encaminhamentos da gestão do BRB e da própria governadora, também as soluções buscadas para prover a recuperação dos Banco de Brasília.
“Eu acabei de assumir o governo e, como controladora do banco, a gente tem que mostrar que está cumprindo fielmente, ou seja, o banco BRB tem toda a condição de cumprir aquilo que está previamente acordado com o Banco Central e é por isso que nós estamos aqui hoje. São detalhes técnicos que estamos passando para o Banco Central para que rapidamente, acho que em menos de 30 dias, nós temos uma situação totalmente diferente da que estamos vivendo hoje. Serão dados oficiais, mas tudo aqui acompanhado pelo próprio Banco Central e pelo BRB”
Celina Leão
Governadora do DF
A origem da crise e o balanço pendente
A crise financeira do BRB foi desencadeada por uma operação de compra de carteiras de crédito do Banco Master, no valor de R$ 12,2 bilhões, que levantou suspeitas de fraude. Após se desfazer o negócio, o BRB não recebeu os valores em dinheiro, mas sim outros ativos do banco de Daniel Vorcaro, que tiveram sua qualidade questionada nas investigações.
São esses ativos que agora são alvo da proposta de R$ 15 bilhões. O BRB informou que os ativos foram registrados com deságio e que seu valor de face é de aproximadamente R$ 21,9 bilhões. Desse total, cerca de R$ 6,6 bilhões são considerados de maior risco, restando o montante de R$ 15 bilhões em ativos de melhor qualidade.
A instituição ainda não apresentou seu balanço financeiro consolidado de 2025, cujo prazo legal expirou em 31 de março, o que resulta no pagamento de multa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O plano da diretoria é divulgar o balanço em 29 de abril, após a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária de acionistas, convocada para o final do mês, para aprovar o aumento de capital.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











