Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (08/Abr), o Projeto de Lei 3946/2021, que estabelece o livre exercício da profissão de doula em todo o território nacional. Realizada no Palácio do Planalto, a sanção representa um marco para a saúde da mulher, garantindo o direito ao acompanhamento por essas profissionais durante a gravidez, o parto e o pós-parto em unidades de saúde públicas e privadas.
A nova legislação reconhece formalmente a atuação das mais de três mil doulas que atuam no país, segundo dados da Federação Nacional de Doulas do Brasil (Fenadoulas). A medida atende a uma demanda histórica de movimentos de mulheres, que defendem o papel essencial dessas profissionais no apoio físico e emocional contínuo às gestantes e na humanização do Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto, de autoria da deputada Mailza Gomes, foi aprovado na Câmara dos Deputados em março deste ano. Durante a cerimônia, o presidente Lula destacou a importância da iniciativa para o cuidado integral.
“Vamos sair de uma fase em que a mulher, na maioria das vezes, entra no hospital sozinha para ter um filho, sem as informações adequadas, para uma fase interessante, porque nós agora sancionamos a lei da doula. Daqui a pouco, o Congresso Nacional vai aprovar a lei da parteira. Nós vamos ter algo sui generis no Brasil. O único país do mundo em que a mulher vai ter uma enfermeira, uma parteira e uma doula para tomar conta dela. Deve ser o único país do mundo em que a mulher vai ter um acompanhamento pleno”, disse Lula.
Critérios e garantias da nova lei
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a lei obriga todos os hospitais, públicos ou privados, a aceitarem a presença da doula desde o pré-natal. A legislação também estabelece critérios de formação para o exercício da profissão.
“Muitas vezes, o hospital se negava a deixar a doula entrar. A gestante estava com a doula, mas não deixavam a profissional acompanhar o parto, acompanhar o pré-natal. Essa lei também passa a estabelecer critérios de formação, como ter 120 horas de curso. Então, passa a ter um reconhecimento”, informou.
Para a presidente da Fenadoulas, Morgana Eneile, a sanção fortalece a imagem e a legitimidade da função perante a sociedade e as instituições. “O exercício garantido numa lei federal exime qualquer dúvida da nossa legitimidade por parte de organizações de gestão da saúde. É uma lei que reconhece nossa importância e reforça nossa existência”, destacou.
Impacto na saúde pública
Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a legislação está alinhada às diretrizes de humanização do parto do Ministério da Saúde e contribui para a redução da morbimortalidade materna e infantil, especialmente entre as populações negra e indígena.
“Esse alinhamento contribui significativamente para reduzir a morbimortalidade materna e infantil, com ênfase no componente neonatal, sobretudo da população negra e indígena, sem nos esquecermos que fortalecerá o modelo de cuidado integral e multiprofissional no SUS, fortalecendo a identidade dos territórios e seus modos de vida”, destaca.
A atuação da doula é complementar e não substitui o trabalho de outros profissionais da equipe de saúde, como médicas, enfermeiras ou parteiras, nem o do acompanhante escolhido pela mulher, direito garantido pela Lei nº 11.108/2005. Seu papel é oferecer suporte físico, emocional e informativo.
Estudos científicos reconhecidos por instituições internacionais, como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), associam a presença contínua da doula a resultados positivos. Entre eles estão a redução do tempo de trabalho de parto, menor necessidade de anestesia, diminuição do número de cesarianas e maior satisfação das mulheres com a experiência.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














