Por Kleber Karpov
Uma decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT),(21/Ago), que inocentou o ex-secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa, de participação em esquema de lavagem de dinheiro, relacionado a aquisição de Órteses, Próteses e Materais Especiais (OPME), traz uma reflexão que impõe cautela ao discurso de candidatados a governos, sobre a magia de resolver os problemas da saúde. Em especial sobre zerar filas e acabar com as demandas reprimidas. Porém, o caso de em questão traz uma reflexão e é um case concreto para além de governos e demonstram a falácia do discurso fácil, ou meramente eleitoreiro a ser percebido pelos eleitores e tratado com respeito por candidatos.
Barbosa foi secretário durante a gestão do ex-governador do DF, Agnelo Queiroz (PT) que, acusado pela gestão da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), em meados do primeiro ano do governo do ex-gornador, Rodrigo Rollemberg (PSB), de fazer compras exacercadas de OPME, ao ser defendido pelo deputado distrital, Chico Vigilante (PT), e ao dar entrevista ào telejornal da Rede Globo DF, TV, o SES explicou que a Secretaria havia feito a aquisição das OPMES, em decorrência da demanda de cirurigas e que, na ocasião, ainda na gestão de Queiroz, a pasta tinha uma demanda de aproximadamente 5.000 procedimentos cirúrgicos ortopédicos. Informação essa confirmada posteriormente, de 4.700 cirurgias eletivas e, 250 de urgências. Montantes esses, específicos da ortopedia, sem levar em conta quaisquer outras intervenções de outras especialidades médicas como obstetrícia para os partos, cardíacas, transplantes, renais, etc.
Dito isso, a decisão do TJDFT de inocentar Barbosa, traz a luz da sociedade brasileinse um problema extremamente releante, em especial, se observado sob a ótica da gestão pública e da atual conjuntura de processo eletivo. Durante o período de eleições é possível observar os discursos dos candidatos ao GDF, em especial Leandro Grass (PT), Ricardo Capelli (PSB), José Arruda (PSD) e Celina Leão (Progressistas), no que tange a Saúde, principal tema para tentar alavancar a confiança do eleitorado brasiliense, ao pedirem um voto de confiança a concessão do mandato para governar do DF a partir de 2027.
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Sob essa ótica, Grass, ao adotar um discurso que Celina Leão falhou por não resolver o problema da Saúde, por oito anos, adota um tom totalmente falacioso. E, não se deve, ao menos para o momento, se misturar gestão do DF, com recursos do Banco de Brasília (BRB). Se trata de um discurso meramente eleitoral. Isso por uma questão muito simples. Barbosa, em agosto de 2015 admitiu, que ao final da gestão Queiroz, havia penas na ortopedia uma demandas de aproximadamente 5.000 cirurgias. E é de conhecimento público, o caos que foi o fim daquela gestão, em decorrência da falta de recursos.
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Capelli, que jura não ser forasteiro e viver no DF há 17, 20, 24 anos, pois muda o tempo em entrevistas distintas, parece não ter observado o governo de Rollemberg que iniciou e terminou, sem sanar tal demanda, além de acumular outras tantas. Por exemplo, dos 30 mil atendimentos pediátricos, desses mais de 15 mil atendimentos apenas no Hospital da Criança José Alencar (HCB), ainda no final de julho de 2016. Informações essas obtidas por PDNews por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão (e-SIC), uma vez que a gestão, à época, se recusou a fornecer. Fora as várias outras especialidades médicas. Isso proveninete de um governo onde se assistiu o fechamento da pediatria do Hospital Regional do Gama (HRG), no Hospital de Base e a tentativa no Hospital Regional da Asa Norte; as contaminações de hospitais e mortes por superbacktéria KPC; Os óbitos de bebês recén-nascidos com cardiopatias simples; ou ainda de idosos por falta de atendimento. Não por outro motivo, a gestão entre 2015 e 2019 teve aumento de 15% entre as mortes evitáveis, denúncia essa realizada à época pelo Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico-DF).
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Um passo atrás da gestão de Queiroz, mais cautelo, Arruda em geral prefere abordar a construção de hospitais, por ser o responsável por construir o último [inaugurado e único nos três anos de governo], do DF. Aliás, o ex-governador afirma ter feito Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs), mas ao que consta, após as seis inaguradas durante a gestão petista, as outras 13 UPAS, dessas sete em funcionamento, foram iniciadas a partir da gestão deo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
Feito tal consideração, Arruda que embora também ignore as unidades hospitalares em construção, o ex-governador se esquece de uma premissa básica, que já se tornou um desafio para Celina Leão, que começa a ver, por exemplo o Hospital Regional de Taguatinga (HRT), voltar o nível de atendimento caótico da gestão de Rollemberg, quando o assunto é superlotação. Sim, o ex-chefe do Executivo, ao enaltecer o discurso da construção de hospitais, parece ignorar que precisa de recursos humanos.
Importante lembrar que Arruda, foi o primeiro governador a contar com secretários de saúde, condenados por improbidade administrativa, foram dois. E, tais condenações, em especial a de Augusto Carvalho, ocorreram, justamente, porque o hospital construído foi entregue a gestão de terceiros. Após inaugurar o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), o último construído no DF, a unidade de saúde foi entregue à Real Sociedade Espanhola, onde surgiu o escândalo da Intensicare, que envolvia leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). E, segue a sequëncia de acúmulo de filas e de demandas reprimidas.
Rocha por sua vez, ainda no primeiro mandato, teve que começar a lidar com a pandemia da Covid-19, ao final de 2019. O DF foi uma das primeiras Unidades da Federação a registrar pacientes contaminados com o coronavírus, o primeiro caso grave. Durante os três anos o país praticamente não realizou cirurgias eletivas, de todas as especialidades. No caso da capital do país, os procedimentos começaram a ser retomados em 2021, isso, de forma lenta e gradativa.
No primeiro ano, do segundo mandato, o DF foi, no Brasil, o epicentro da maior epidemia de Dengue do mundo, em que o Brasil acumulou mais de 50% dos casos globais e o DF sozinho recebeu mais de 20% dos casos, algo que tomou um ano inteiro para reverter o quadro. Demanda essa que teve um impacto nos atendimentos, dado a necessidade de redirecionamento de recursos humanos à Atenção Primária. O que foi revertido a partir de implementações drásticas de políticas públicas, que contou com mobilização, inclusive do TJDFT, além de mobilização multitafefa de toda esfera do governo. Algo conduzido com propriedade por Celina Leão, que obtere o reconhecimento da ministra de Saúde, Nísia Trindade, ao início de 2025, direcionado à ex-secretária de Saúde do DF, Lucilene Florêncio.
Secretária essa, que inicou uma série de iniciativas, para suprir outro problema grave no âmbito da gestão da SES-DF, a falta de médicos de especialidedes sensíveis, a explo de anestesistas, pediatras, geriatra e vários outros especialistas. Lucilene Florêncio à época iniciou uma série de ações, e contratações e parceiras com a iniciativa privada. Essa última, embora sem tal reconhecimento, aplicada pelo governo federal ao programa Mais Especialistas, por parte do ministro Alexandre Padilha.
Dado tais contextualizações, mesmo Celina Leão, talvez por conhecer a profundidade que o tema requer de abstração, não ousa falar em acabar com as filas na saúde. Pelo contrário, a chefe do Executivo sempre chama atenção à necessidade de responsabildiade de tal abordagem.
Nesse contexto, esste articulista é categórico em reiterar para a necessidade de fugir de falas ou jargões meramente eleitoreiros, sem um fundo de verdade. E, não se trata de candidato a proferir mentiras deliberadamente, mas de revelar a falta de profundidade, de expectativa de falta de cognição do interlocutor, ou de falta de reflexão, o suficiente, para se realizar promessas tangíveis e coerentes, dado a complexidade que o tema impõe.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













