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07 mar 2026 09:35

Custo social das apostas online supera R$ 38,8 bilhões e impacta saúde pública

Estudo revela que perdas com jogos superam arrecadação, agravam problemas de saúde mental e não geram empregos significativos

Por Kleber Karpov

Um estudo inédito, divulgado nesta terça-feira (02/Dez), estima que as apostas online e os jogos de azar provocam perdas anuais de R$ 38,8 bilhões ao Brasil. O valor calculado engloba danos sociais e econômicos, como custos com saúde, afastamentos do trabalho, desemprego e suicídios. A pesquisa “A saúde dos brasileiros em jogo” foi realizada em parceria entre o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), a Umane e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM).

A análise aponta que 78,8% das perdas, o equivalente a R$ 30,6 bilhões, estão relacionadas à saúde. Os pesquisadores projetaram os custos com base em estudos internacionais e dados nacionais. O levantamento indica R$ 17 bilhões em perdas por mortes adicionais por suicídio e R$ 10,4 bilhões pela redução da qualidade de vida associada à depressão.

Acesse aqui para ver a íntegra da pesquisa.

O tratamento médico para quadros depressivos representa um custo de R$ 3 bilhões. Outros impactos incluem R$ 4,7 bilhões relacionados ao encarceramento por atividades criminosas, R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego e R$ 1,3 bilhão devido à perda de moradia.

O documento destaca a relação entre o transtorno do jogo e o agravamento de condições de saúde mental. “Estudos internacionais recentes demonstram a associação entre o transtorno do jogo e o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio”, afirma o texto.

Desequilíbrio financeiro

O estudo aponta uma disparidade entre os custos sociais e a arrecadação gerada pelo setor. As apostas, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, geraram R$ 8 bilhões em tributos até outubro de 2025. Mesmo com a projeção anual de R$ 12 bilhões em arrecadação, o valor é inferior ao custo social estimado.

“O contraste entre a arrecadação – ainda que consideremos a projeção anual de R$ 12 bilhões – e o custo anual estimado de R$ 38,8 bilhões revela uma conta que não fecha do ponto de vista do interesse público”, ressalta o relatório.

Atualmente, as empresas de apostas pagam 12% sobre a receita bruta. Apenas 1% desse montante é destinado ao Ministério da Saúde (MS). O estudo critica a falta de vinculação desses recursos com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mercado de trabalho

A pesquisa também questiona o impacto econômico positivo do setor. Dados do Ministério do Trabalho indicam que a atividade gerou apenas 1.144 empregos formais. A análise sugere que a maior parte da receita não se converte em renda para os trabalhadores.

“Enquanto cada trabalhador formal no setor gera cerca de R$ 3 milhões mensais em receitas para as empresas, ele próprio recebe uma fração mínima (0,34%) desse valor”, aponta o estudo.

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica ainda, em 2024, um alto índice da informalidade que atinge 84% dos trabalhadores no setor, esses, sem contribuições com a previdência social. Índice superior à média nacional de 36%.

Regulação e prevenção

A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, defende a implementação de medidas de proteção. “A prática está sendo incentivada por um lobby comercial poderoso, ainda que às custas da saúde do povo brasileiro”, afirmou à Agência Brasil.

O estudo sugere ações baseadas no modelo britânico, como a autoexclusão de usuários, restrições à publicidade e destinação de recursos para tratamento de saúde. Entre as propostas para o Brasil estão o aumento da tributação destinada à saúde, a proibição de propagandas e a capacitação de profissionais do SUS.

“Se o Estado entende que a legalização é um caminho sem volta, ele precisa mitigar os danos causados pelas empresas de apostas e assegurar mecanismos sólidos de redução de danos”, conclui Rebeca.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa as principais empresas do setor, manifestou-se contra o aumento da tributação, argumentando que a medida pode fortalecer o mercado ilegal.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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