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07 mar 2026 07:12

Síndrome de Munchausen: Hospital de Santa Maria debate transtorno em que pais provocam doenças nos filhos

Profissionais do HRSM discutiram o Transtorno Factício Imposto ao Outro, que faz pais provocarem doenças nos filhos por busca de atenção

Por Kleber Karpov

O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) sediou um encontro (06/Nov) para debater a Síndrome de Munchausen por Procuração, também nomeada como Transtorno Factício Imposto ao Outro (TFIO). A reunião, que envolveu profissionais de diversas áreas da saúde, teve como foco o desafio de reconhecer e intervir nesse quadro complexo de saúde mental em que pais ou cuidadores simulam ou, de fato, provocam doenças nos próprios filhos. O objetivo foi ampliar as estratégias de identificação e intervenção contra essa forma de abuso infantil, que frequentemente passa despercebida.

O Transtorno Factício Imposto ao Outro caracteriza-se pela indução ou pela falsificação de sintomas físicos ou psicológicos em terceiros, tipicamente em crianças. O agressor é o cuidador, que age motivado pela busca por atenção e reconhecimento de seu papel, sem que haja qualquer benefício financeiro associado. A assistente social e palestrante do evento, Gabriela Vieira, destacou que o reconhecimento do problema é demorado e a síndrome impacta toda a unidade familiar.

“Não afeta apenas a vítima, mas todo o grupo familiar. É uma forma de manipulação contínua, que engana profissionais e prolonga o sofrimento da criança. Em média, o diagnóstico leva até 15 meses para ser feito”, destacou Gabriela Vieira sobre o ciclo do abuso.

Reconhecimento

O termo “Síndrome de Munchausen” foi cunhado em 1951 para descrever a simulação de doenças em si mesmo. Posteriormente, em 1977, o pediatra britânico Richard Meadow descreveu o tipo “por procuração”, onde o indivíduo provoca intencionalmente sintomas em outra pessoa sob seus cuidados.

A assistente social Gabriela Vieira ressaltou alguns sinais de alerta importantes. Entre eles, sintomas que desaparecem quando a criança é afastada do cuidador e que retornam após o reencontro. Além disso, consultas e internações repetidas com resultados inconclusivos são indícios. A insistência em tratamentos desnecessários e a calma incongruente do cuidador em momentos de crise também podem ser sinais. “É comum que a criança passe por múltiplos procedimentos clínicos sem necessidade real, porque o cuidador força a continuidade das investigações médicas”, explica.

O perfil do cuidador com o Transtorno Factício Imposto ao Outro costuma seguir um padrão: são indivíduos com idade média entre 29 e 30 anos e que possuem algum conhecimento prévio em saúde. A conduta é, em geral, prestativa e aparentemente colaborativa, mas há uma forte necessidade de atenção e validação. Frequentemente, há um histórico de violência doméstica, transtornos de personalidade ou depressão.

“Essas pessoas parecem gentis e dedicadas, mas mantêm o controle total da narrativa. A enganação é consciente, embora nasça de um sofrimento psicológico profundo”, afirmou Gabriela Vieira.

Vítimas

As principais vítimas do transtorno são as crianças pequenas, usualmente com menos de seis anos de idade. Nesta faixa etária, a criança ainda é incapaz de expressar o que sente com clareza ou identificar os abusos. Meninos e meninas são afetados igualmente.

A palestrante alertou para a cumplicidade involuntária da vítima. “Os filhos acabam acreditando na doença inventada e participam, sem entender, do ciclo de manipulação. Por isso, o olhar atento dos profissionais é essencial para quebrar esse padrão e protegê-los”, reforçou a especialista.

O tema complexo despertou grande interesse entre os participantes do evento. A assistente social do HRSM, Rafisa Santana, sublinhou o aprendizado. “Eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha compreendido de forma tão clara quanto nesta apresentação. É um desafio, e em qualquer momento podemos nos deparar com um caso assim. Foi muito esclarecedor, mesmo com conteúdo ainda escasso no Brasil”, atestou Santana.

O evento foi promovido pelo Serviço de Assistência Social (SEASS) do Hospital Regional de Santa Maria, com apoio da Gerência de Gestão do Conhecimento (GGCON) e do Núcleo de Educação Permanente (NUDEP). A transmissão completa está disponível no canal do IgesDF no YouTube.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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