Inverso: Cuidado livre em Saúde Mental é o pilar de centro de convivência

Sem fins lucrativos e único no DF, Centro de Convivência em Saúde Mental, Arte e Cultura promove eventos culturais mesclados ao acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico

Por Kleber Karpov

O Centro de Convivência em Saúde Mental, Arte e Cultura Inverso, localizado na 408 Norte, no Distrito Federal, promove o acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico por meio de oficinas de arte e eventos culturais. Fundada em 2001, alinhada à Reforma Psiquiátrica brasileira, a organização sem fins lucrativos atua com portas abertas, seguindo o pilar do “cuidado livre” e da luta antimanicomial. A instituição se mantém por doações e fomentos, como o recente apoio recebido da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Fomento via Lei Aldir Blanc

Neste segundo semestre de 2025, a Inverso foi habilitada para receber o fomento da PNAB, em uma parceria viabilizada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEEC-DF). Os recursos públicos são destinados a oficinas culturais gratuitas, como as de Música, Artesanato e Bordado, ministradas por voluntários.

“Temos vários exemplos de pessoas que já passaram, ainda estão no movimento. A transformação das pessoas através da arte é incrível”, comenta Therezinha Maria da Rocha, que ministra as oficinas de Artesanato.

Legado de Nise da Silveira

O centro segue o ideal de que a Saúde Mental é um direito de todos, aplicando-o de forma lúdica e artística, em linha com o legado da psiquiatra Nise da Silveira, maior referência brasileira na luta antimanicomial. A Inverso defende que o acolhimento e o desenvolvimento de novas habilidades são caminhos mais significativos que o encarceramento de pessoas em sofrimento psíquico.

“É um local de portas abertas”, diz Giovanna Momenté, secretária-geral do Centro de Convivência. “As pessoas são livres para ir e para voltar. Quem quiser entrar, é só chegar e participar”, explica Giovanna Momenté. Segundo ela, o cuidado qualificado deve partir de um ser humano para outro, não de grades ou coerção.

O ciclo do cuidado

A auxiliar de enfermagem e historiadora Therezinha Maria da Rocha, hoje oficineira voluntária, exemplifica o ciclo virtuoso da instituição, onde chegou inicialmente como frequentadora.

“Fiz a oficina de música, mas entrei na de artesanato, aprendi, e hoje sou da diretoria, mas sempre nas oficinas. As pessoas se transformam quando usam a arte para alguma coisa”, conta Therezinha da Rocha.

A psicóloga Sara Carvalho, uma das responsáveis pela oficina de Bordado, relata como a atividade manual auxilia no processo terapêutico e na livre expressão.

“A atividade é tão imersiva que, ao ver a agulha saindo e entrando, criando tranças, a fala vem com muita liberdade. Alguns sentam para bordar e começam a falar das faltas que têm, dos amores que passaram. Outras colocam seus relatos no tecido mesmo”, relata Sara Carvalho.

Além das oficinas financiadas pela PNAB, o centro oferece outras atividades semanais, como Produção Editorial e Escrita Criativa. Para este ano, estão previstos eventos abertos ao público, como o encontro no Dia da Consciência Negra e a festa de Natal, marcada para a segunda semana de dezembro.

Serviço: Inverso Centro de Convivência em Saúde Mental

Calendário das oficinas:

  • Oficina de Música – segunda-feira, das 14h às 16h;
  • Oficina de Artesanato – terça-feira, das 14h às 16h;
  • Oficina de Bordado – sexta-feira, das 10h às 12h.

SCLN 408, Bloco B, Sala 60 – Subsolo – Asa Norte




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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