GDF aperta servidor no bolso e a Secretaria de Saúde, pelo estômago

Além do arrocho do GDF com suspensão de benefícios, adiamento do pagamento das incorporações de gratificações, previstas em Lei, suspensão de reajustes salariais e atraso de pagamento de Horas Extras (HEs), trabalhar com fome virou parte do cardápio da Secretaria de Saúde

Por Kleber Karpov

A empresa Sanoli Indústria e Comércio de alimentação, voltou a suspender o fornecimento de refeições aos servidores que trabalham em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF, na segunda-feira (21/Nov). Sem aviso prévio, plantonistas são obrigados a trabalhar de barriga vazia. Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), alega que trabalhadores têm auxilio alimentação.

Em nota, a Sanoli alegou que a suspensão, parcial, da entrega das refeições ocorre “em razão do não recebimento de faturas de fornecimento de alimentação hospitalar”. A Empresa alega cumprir com “enormes sacrifícios, as obrigações contratuais”, porém, deixa claro que, caso a da SES-DF, continue a inadimplência, sem pagar os valores devidos, a suspensão pode atingir também os pacientes e acompanhantes.

A suspensão do fornecimento de refeições aos servidores afetaram, em cheio, os profissionais de saúde plantonistas. Com escalas com carga horária de até 12 horas, esses trabalhadores tiveram duas opções. Comprar comida com dinheiro do próprio bolso, ou passar fome. Uma vez que foram pegos de surpresa, isso irritou bastante os servidores nas unidades de Saúde.

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Na UPA Núcleo Bandeirante, um servidor, que pede para não ser identificado, recorreu ao  Política Distrital, para pedir ajuda. “Checa se a Sanoli não está fornecendo alimentação. Estamos aqui no bandeirante, de plantão e sem refeição.”, pediu. No Hospital Regional de Ceilândia (HRC), outro servidor, também, não identificado, reclamou ao PD.

“Não estão servindo comida para servidores por enquanto acompanhante  e paciente. Sanoli não está servindo para Servidores, pois não  estão pagando. Ai os servidores estão comprando café, açúcar, biscoitos. Fizeram uma feirinha.”.

O presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, criticou a SES-DF em decorrência da suspensão das refeições. “Com os refeitórios fechados, o que fazer? Os médicos, os enfermeiros, os técnicos e auxiliares vão abandonar o plantão ou vão simplesmente passar fome?”

O que diz a SES

Política Distrital questionou as pendências financeiras junto a SES-DF. Por meio da Assessoria de Comunicação, a Secretaria informou que recebeu está analisando a fatura da Sanoli, referente aos serviços prestados, em outubro, e nega haver atrasos em relação à empresa.

“A secretaria esclarece que os valores estão sendo analisados pelo setor de pagamento e a fatura está dentro do prazo para pagamento. Esse procedimento de verificação dos dados apresentados pela empresa ocorre mensalmente para atestar a efetiva prestação do serviço. A Secretaria de Saúde esclarece, ainda, que não há débitos em atraso referentes ao ano de 2016 com a empresa Sanoli. O valor referente ao mês de outubro é de R$ 11.363.182,57. Atualmente o pagamento é feito por meio de despesa indenizatória – que é quando a empresa presta o serviço e recebe o pagamento após apresentar nota fiscal.”.

A SES-DF argumentou que os servidores recebem auxilio-alimentação e que a empresa continua a atender os pacientes e acompanhantes.

“Quanto ao comunicado, a pasta o recebeu e informa que a empresa diz em suspender fornecimento de refeições a servidores, não incluindo pacientes. A alimentação de pacientes, frisa-se, está mantida. Os servidores, por sua vez, recebem auxílio alimentação.”.

O blog ainda sobre as empresas vencedoras da licitação para fornecimento de refeições nas unidades de Saúde do DF, porém, sobre o assunto, a SES-DF não se manifestou.

Bom senso

Para o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna, a SES-DF poderia, ter o “bom senso” de avisar aos servidores sobre a suspensão do fornecimento da alimentação aos servidores plantonistas.

“Se de fato a Sanoli está negociando com gestores e resolveu suspender o fornecimento de refeições aos servidores é sensato acreditar que antes da Sanoli ter publicado a Nota avisando aos servidores nas unidades de saúde sobre a suspensão do fornecimento da refeição, que tenha avisado à gestão. Portanto, seria sensato que a Secretaria, ao tomar conhecimento da suspensão, utilizasse os meios de comunicação disponíveis para comunicar os trabalhadores de modo a evitar que fossem pegos de ‘saia justa’, ou melhor, de estômago vazio.”, atirou Vianna.

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