Pandemia do coronavírus derruba segundo ministro da saúde com pedido de exoneração de Nelson Teich

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Ignorado e com mesmas divergências de ex-ministro Mandetta, quanto ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina, além de flexibilização de isolamento social, Teich deixa pasta 30 dias após assumir ministério

Por Kleber Karpov

Nesta sexta-feira (15/Mar), o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração do cargo. O evento acontece após o presidente Jair Bolsonaro, tentar impor a flexibilização do isolamento social, bem como o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, no início dos sintomas de infecção por covid-19.

O nome de Teich foi anunciado, por Bolsonaro, para assumir o Ministério da Saúde (MS), em 16 de maio, em substituição a Luiz Henrique Mandetta, que ficou pouco mais de 16 meses no cargo e deixou a pasta, justamente, por confrontar o chefe do Executivo, em relação a tentativa de se impor a flexibilização do isolamento social e o uso da cloroquina, que não tem efeito cientificamente comprovado, além de poder causar efeitos colaterais graves.

Ao assumir a pasta (16/Abr), o Brasil contabilizava 30.891 casos confirmados de infecção pelo Coronavírus e 1.952 óbitos. Desde então, as preocupações do ex-ministro, Mandetta, em relação ao colapso do sistema de saúde, se confirma, por falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e de ventiladores, em diversos estados brasileiros. Ao longo desses 30 dias, o país soma 202.918 casos confirmados de covid-19, um crescimento de 656,88%, além de  13.993 óbitos, 716,85%.

Ignorado

Na segunda-feira (11/Mai), Bolsonaro publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), decreto em que inclui academias e salões de beleza no rol de atividades essenciais, durante a pandemia do coronavírus (Covid-19). Iniciativa essa, que Teich apenas tomou conhecimento, por meio da imprensa, durante coletiva realizada pelo então ministro. Ao ser questionado pela imprensa, Bolsonaro apenas se justificou ao afirmar que tem prerrogativa de promover tais mudanças, na condição de chefe do Executivo.

Cloroquina

Em novo episódio, na quarta-feira (13/Nov), Bolsonaro voltou a defender o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, nos dias iniciais dos sintomas de infecção pelo coloronavírus. Na mesma data, Teich lembrou a adoção dos medicamentos pelo MS, em 23 de março e do endosso do Conselho Federal de Medicina (CFM). “O @minsaude em 23.03 informou que a cloroquina pode ser prescrita para pacientes hospitalizados (https://bit.ly/3fIcIQe ). O @Medicina_CFM , em 23.04, entendeu a excepcionalidade em que vivemos e possibilitou o uso em outras situações (https://bit.ly/35OtIj7 ).”

Mas o então ministro, também alertou para os cuidados da administração de tais medicamentos, por meio de publicação microblog Twitter, além da necessidade de haver autorização prévia, por parte do paciente ou responsável, para a administração da cloroquina.

Despedida

No período da tarde, Teich realizou uma coletiva abriu com a afirmação que “a vida é feita de escolhas e eu hoje escolhi sair”. O ex-ministro informou que deixa um planejamento estratégico que pode ser seguido pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.

Teich também fez questão de deixar claro e foi taxativo ao afirmar: “Eu não aceitei o convite pelo cargo, aceitei porque achei que podia ajudar o Brasil”.

Atualização: 15/05/2020 às 18h04