Adoção: apenas 1% das famílias cadastradas no DF buscam adolescentes

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Por que há mais pais para filhos que filhos para pais no DF? Entenda porque a conta não fecha

No dia 25 de maio, celebra-se no Brasil o Dia Nacional da Adoção, instituído pela Lei 10.447, de 9 de maio de 2002. No País, há mais famílias aguardando para adotar um filho do que crianças e adolescentes esperando para serem adotados. Isso ocorre pelo desencontro entre o perfil de adoção para o qual as famílias se cadastram e o perfil dos meninos e meninas que estão nas instituições de acolhimento do Distrito Federal.

Dados da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF) desta semana mostram que há 137 crianças e adolescentes aguardando adoção e 556 famílias habilitadas. Isso acontece porque grande parte de quem deseja adotar busca um perfil semelhante de filho: crianças recém-nascidas ou pequenas, saudáveis e sem irmãos.

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No cadastro de adoção do DF, 94% das famílias (523) aceitam apenas crianças de até 3 anos de idade. Dos 3 aos 5 anos idade, esse percentual cai para 74% (415), atingindo os 44% das famílias (247) quando se trata do intervalo de 5 a 7 anos. A menor parte dos pretendentes se interessa por idades superiores a essas: 14,6%, de 7 a 9 anos incompletos; 4,9%, de 9 a 12 anos incompletos; 1,3%, de 12 a 18 anos incompletos.

Adoção - dados famílias habilitadas

O supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta (SEFAM/VIJ), Walter Gomes, fala de uma gradual mudança nesse perfil desejado de filho, ocorrida nos últimos anos. No entanto, nas instituições de acolhimento ainda estão meninos e meninas bem diferentes do buscado majoritariamente. Dos 137 totais, quase metade, 68, são adolescentes (entre 12 e 18 anos incompletos), para os quais há apenas 1,3% de interessados. Do outro lado, apenas 12 crianças têm entre 0 e 3 anos, idade desejada por 94% das famílias. Das 137, 25 têm alguma deficiência. Do mesmo total, mais da metade (77 crianças) pertencem a algum grupo de irmãos.

Adoção - dados

Fora do perfil

Para aumentar as chances de adoção daqueles que por questão de idade, por pertencerem a grupo de irmãos ou por terem alguma deficiência ou problema de saúde são preteridos, a VIJ-DF criou o projeto “Em busca de um lar”. A Portaria VIJ 11 de 27 de setembro de 2018 instituiu o projeto no Distrito Federal com base na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente, na recomendação do 76º ENCOGE (Encontro do Colégio Permanente de Corregedores-Gerais dos Tribunais de Justiça do Brasil) e nos princípios que regem a infância e a juventude, como o melhor interesse da criança e do adolescente.

Para alcançar esse objetivo, a Seção de Comunicação Institucional da Vara (SECOM/VIJ) está produzindo vídeos e fotos das crianças e adolescentes inseridos no projeto para divulgação em mídias sociais, com o acompanhamento da SEFAM. Saiba mais na página do projeto.

Nesta primeira fase de divulgação do “Em busca de um lar”, estão sendo apresentados por vídeo e fotos meninos e meninas inseridos no projeto. Na segunda fase, será divulgada série de matérias trazendo o depoimento de famílias que fizeram adoção tardia, de irmãos ou de crianças e adolescentes com alguma deficiência.

Busca ativa

O termo “busca ativa” é utilizado para designar a ação de buscar famílias para crianças e adolescentes em condições legais de adoção, visando garantir-lhes o direito de integração a uma nova família, quando esgotadas as possibilidades de retorno ao convívio com a família de origem.

Fonte: TJDFT