A Câmara Legislativa, o circo e o pão

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Por Professor Chico

Quando o Senhor Abravanel, o nosso Silvio Santos, ganhou o seu canal de TV, a TVS, hoje SBT, quase nada entendia da montagem e gestão de um canal de televisão. Décadas depois, resolveu montar a talvez maior rede de cosméticos de vendas porta a porta no Brasil de hoje, a Jequití. Para ambos os casos, e para tantos outros que bem conhecemos, verificamos que não é exigida a formação acadêmica em engenharia para que alguém monte e faça funcionar com êxito uma construtora, por exemplo. Mas é indispensável seguir duas regras básicas: 1ª – ter pelo menos noções do que se trata e, mais importante ainda, a 2ª cercar-se de gente séria e capaz de fazer “a roda girar”. Do contrário, vira piada.

Como o bom gosto para piadas muito provavelmente é algo de total desconhecimento da maioria de nossos deputados distritais, deveriam os nosso parlamentares deixarem-se cercar de pessoas mais qualificadas que os próprios, para que no final o motivo de piadas não sejam eles mesmos.

Obervando a quantidade de propostas, inclusive as inconstitucionais, aprovadas pela nossa CLDF, fruto de muito trabalho para alguns, e de pura produção de piadas de péssimo gosto para outros, descobri que imensa quantidade dos projetos em nada altera a vida do cidadão, pois nada significam.

Enquanto Celina Leão, como parlamentar e chefe de um Poder, “chuta o balde” como forma de tentar fazer “pegar no tranco” um governo que até hoje não disse a que veio; Raimundo Ribeiro promove amplos debates nas cidades satélites sobre o importante tema da redução ou não da maioridade penal, Luzia de Paula “quebra lanças” para fazer aprovar e garantir orçamento que permita uma vida menos indigna a muitas crianças e famílias necessitadas. Di Lira prefere “jogar para a plateia” de infelizes que não tem onde morar, e que foram à uma audiência pública na CLDF, sonhando que teriam em breve um lar. Outros, preferem determinar com base em “lei”, a hora e a data para as manifestações no Eixo Monumental, dos cidadãos que pagam seus salários e luxos. Pelo projeto, ficam proibidos os atos na via entre 7h e 9h e entre 17h30 e 19h30. As ações também passam a exigir comunicação prévia ao GDF, com prazo mínimo de 48 horas. Segundo o autor da “importante ideia”, Cristiano Araújo, a proposta tenta conciliar o direito de manifestação ao direito de ir e vir dos motoristas. Aliás, talvez fosse até mais interessante o príncipe que nasceu e foi criado d’além pontes, sugerir apenas os dias de sábado e domingo à n  oite, depois que ele já atravessou a ponte rumo à sua aconchegante residência.

Em outro projeto, o deputado Bispo Renato Andrade (PR) regulamenta a venda de alimentos em food trucks, carrinhos, tabuleiros e barracas desmontáveis. As associações que representam o setor dizem que não foram consultadas e que o projeto não deveria reunir modalidades diferentes. “A gente espera que o governo vete o projeto […] e estabeleça, muito claramente, o que é food truck. Não misture esse conceito com carroça, com barraca desmontável”, diz o presidente da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF), Rodrigo Freire.

Mais vergonhoso, contudo, não deixou de ser um belo “puxão de orelha” aplicado pelo ex-ministro do STF, Carlos Ayres de brito, no estreante Delmasso, ao tentar reconfigurar algo já resolvido pela Constituição Federal, que é a família.

Aliás, em nome da família outras tantas anomalias em forma de propostas ou piadas de péssimo gosto foram tentadas na nossa caríssima CLDF, neste semestre.

“Em nome da família”, Sandra Faraj discutiu os banheiros de gênero e tenta proibir o debate de tema políticas em escolas. Acreditam nisso? Já que a parlamentar não sabe, a política que se pretende discutir e se torna indispensável nas escolas não é a apenas a partidária, que por si já se justificaria. Mas, principalmente, as questões sociais que fazem parte da vida de todos, onde todos devem ser estimulados e refletir, questionar e buscar alternativas para si e para a sua comunidade, através da promoção de políticas públicas. Somente esse caminho liberta os jovens de hoje do messianismo de líderes que trocam voto por fé em “nome das famílias”

O colega Odir Ribeiro, em seu Rádio Corredor, postou dia desses um alerta de que deputados estariam falando demais “em nome da família”, e esquecendo questões, de fato, ainda não resolvidas.

Apenas para encerrar esta questão. Felizmente, cada vez mais o Líder Supremo da maior Igreja do mundo, a católica, o Papa Francisco, aparece em público quase diariamente “rasgando a máscara” dos que tentam se proteger nessas “falas”. Cristo não apontava o dedo. Estendia a mão aos que dela necessitavam, e eis, então,  o verdadeiro e único espírito cristão.

Outro que seguiu na linha da “fé com dinheiro alheio”, Júlio César, propôs isenção de ICMS nas contas de água, luz e telefone aos templos e igrejas, “para viabilizar a liberdade de culto”?!?!?!

Resumo da opera: enquanto alguns tentam honrar os seus mandatos e minimizar as dificuldades pelo “ganho pão” diário de parte de nossa população, parte significativa da nossa CLDF prefere empurrar-nos para baixo da lona como se fôssemos palhaços de seus circos.

Fonte: Blog do Professor Chico