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22 jan 2026 08:23

Servidores da Saúde no DF e do BB são presos por dar golpe em idosos

Os dois são acusados de fazer parte de um esquema que enganava servidores aposentados, na suposta venda de seguros de vida

Por Álvaro couto e Anderson Costolli

Dois servidores púbicos foram presos nesta quarta-feira (5/8) no âmbito da segunda fase da Operação Strike, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam I). A dupla é suspeita de fazer parte de um esquema de venda de falsos seguros de vida para servidores aposentados. Assim, conseguiam acesso a dados das vítimas, que tinham o dinheiro do golpe descontado direto em folha.

Um dos servidores é da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, segundo a delegada chefe da Deam I, Sandra Melo. O outro é funcionário do Banco do Brasil. A dupla é acusada de usar os sistemas das instituições para obter informações referentes às vítimas, facilitando assim o golpe orquestrado pelo bando.

Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão e nove de prisão e sequestros de bens foram cumpridos no DF, em Goiás, Minas Gerais e Paraná. Cinco mandados de prisão foram cumpridos no Distrito Federal, outros três em Minas. Uma pessoa seguia foragida até a última atualização desta reportagem.

“Conseguimos apreender uma farta documentação que comprova o trabalho dessa organização”, ressalta a delegada chefe da Deam I, Sandra Melo. Segundo ela, a operação, que contou com mais de 200 policiais, também identificou a forma de atuação do grupo.

A primeira fase da Strike aconteceu ainda em 2018. Na ocasião, a maioria das vítimas eram mulheres aposentadas, motivo pelo qual o caso acabou na Deam. Com a evolução da investigação, os policiais descobriram que a ação criminosa mirava em aposentados em geral.

Tanto a Secretaria de Saúde do DF quanto o Banco do Brasil foram procurados pela reportagem para dar algum posicionamento sobre os servidores presos nesta fase da operação. Até a publicação deste texto, ninguém havia se pronunciado.

Modus operandi

Segundo a PCDF, a organização criminosa criava associações de fachada e entrava em contato com servidores públicos, oferecendo serviços de seguro de vida, supostamente com desconto direto em folha.

Com o código do benefício social dos servidores em mãos, os suspeitos, então, se passavam por corretores e conseguiam, após longa conversa, ludibriar os idosos, obtendo, assim, a assinatura das vítimas em fichas de autorização de desconto mensal no contracheque.

Os valores eram transferidos para as associações fraudulentas e apropriados indevidamente pela organização criminosa.

De acordo com a PCDF, toda a documentação apreendida nesta quarta-feira (5/8) pode ser a porta de entrada para novas fases da operação, inclusive em outros estados.

Além de documentos, a polícia apreendeu R$ 5 mil em espécie. A quantidade de vítimas e quanto foi desviado no golpe não foram divulgados.

Strike I

Em junho do ano passado, seis integrantes da organização criminosa que aplicava golpes com precatórios contra servidores aposentados de órgãos federais foram condenados pela 8ª Vara Criminal de Brasília pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.

Somadas as penas, o bando foi condenado a 155 anos de reclusão. A Justiça do DF também sentenciou os integrantes a repararem danos materiais e morais causados às vítimas. O valor mínimo fixado é de R$ 230 mil.

A quadrilha foi desarticulada em dezembro de 2018, durante a primeira fase da Operação Strike, realizada também pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Segundo os investigadores, à época, os suspeitos se passavam por representantes de associações filiadas a servidores federais, membros do Judiciário e até da Receita Federal para enganar profissionais aposentados dos órgãos, alegando que as vítimas teriam créditos judiciais a receber.

No entanto, para que os servidores tivessem acesso ao dinheiro, o grupo os convencia a realizar o pagamento de encargos. Os valores variavam entre R$ 7 mil e R$ 24 mil. Algumas vítimas, porém, chegaram a depositar R$ 96 mil.

O valor adquirido com o crime era retido pela organização e lavado com a compra de carros e até criação de gado, conforme a PCDF.

Os golpes eram aplicados principalmente em idosos e há registros da ação do grupo no DF, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais.

Fonte: Metrópoles

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