Por Kleber Karpov
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) comunicou ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a concessão de acesso irrestrito à internet móvel nos dias de eleição pode sobrecarregar as redes e causar interrupções na conectividade, especialmente próximo aos locais de votação. A manifestação da agência responde a um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Partido Verde (PV) para liberar dados móveis 72 horas antes e 24 horas depois de cada turno eleitoral.
No dia 24, uma quinta-feira, o ministro Zanin havia concedido um prazo de 48 horas para a Anatel emitir um parecer. A solicitação original, feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV), pedia a liberação da internet móvel em todo o território nacional por 72 horas antes e 24 horas após cada etapa de votação.
Um dos argumentos centrais do pleito reside na alegação de que as restrições impostas pelas franquias de planos pré-pagos criam uma disparidade no acesso à informação, afetando principalmente as parcelas menos favorecidas da sociedade. Quando os créditos se esgotam, a velocidade da internet é drasticamente reduzida, permitindo apenas o tráfego em aplicativos patrocinados, como serviços de mensagens. Para os proponentes da ação, essa limitação favorece a disseminação de desinformação nos dias que antecedem o pleito. Eles argumentam que os eleitores ficam impedidos de verificar a veracidade de notícias em fontes confiáveis na internet, o que compromete a integridade do processo democrático.
Anatel contesta argumentos e prevê colapso
A Anatel, por sua vez, considera que o argumento não corresponde à realidade. A agência enfatizou que o combate às chamadas notícias falsas envolve desafios sociais e regulatórios que não se resolvem pela questão da conectividade móvel. Uma pesquisa interna de 2025 revelou que 70% dos usuários de planos pré-pagos utilizam a internet por meio de conexões Wi-Fi fixas, seja em casa ou em locais públicos, para economizar sua franquia.
A agência reguladora apontou que, ao contrário das conexões fixas, geralmente via cabos e com capacidade expansível, as conexões móveis dependem de um espectro limitado de transmissão eletromagnética. A liberação do tráfego em datas específicas poderia levar os consumidores a intensificar o uso exponencialmente, antecipando downloads e transmissões de vídeo, por exemplo.
A Anatel alerta para a alta probabilidade de que tal cenário resulte em congestionamento e perda de sinal. A agência diagnosticou que tal cenário pode “levar a um colapso das redes de telecomunicações, dificultando ou impedindo que grande parte da população possa se comunicar adequadamente em período tão relevante para a democracia do país”. O órgão também levantou diversas outras questões de ordem técnica e regulatória que representariam obstáculos à liberação da internet nos celulares. Entre elas, a agência argumenta que a medida invadiria sua competência exclusiva para estabelecer as regras relativas às telecomunicações no país.
Cenário eleitoral
O Brasil conta atualmente com mais de 270 milhões de pontos de telefonia móvel ativos. A modalidade pré-paga representa aproximadamente 35% do total de acessos móveis em operação no território nacional, conforme dados da Anatel. Uma parcela significativa dos planos pós-pagos é do tipo controle, que também possui pacotes de dados limitados. O primeiro turno das eleições está agendado para 4 de outubro. Nesta data, os eleitores deverão escolher representantes para os cargos de deputado federal, deputado estadual ou distrital, governador, senador e presidente da República.
Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Esta nova rodada de votação pode ser realizada apenas para os cargos de governador e presidente, se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno. Antes de tomar uma decisão sobre o pedido de liminar, o ministro Cristiano Zanin aguarda o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o assunto.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

















