Por Kleber Karpov
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) intensificou, durante o mês de maio, as ações de promoção e incentivo à doação de leite humano. A iniciativa visa sensibilizar mulheres lactantes e ampliar o número de doadoras para garantir a nutrição adequada a recém-nascidos em condições de vulnerabilidade, como prematuros e de baixo peso, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade infantil na capital.
Com o slogan “Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce”, escolhido em colaboração por 37 países, a campanha de 2026 busca fortalecer as mobilizações dos serviços de saúde. Nas próximas semanas, unidades da SES-DF e da rede particular promoverão rodas de conversa, homenagens às doadoras e outras atividades educativas para reforçar a importância do gesto.
A coordenadora das políticas de aleitamento materno da SES-DF, Maria das Graças Cruz, destaca o impacto do alimento. “O leite humano doado é essencial porque oferece proteção contra infecções, fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças graves, como a enterocolite necrosante”, afirma.
A especialista explica que, embora existam fórmulas infantis, o leite materno possui componentes vivos e protetores únicos. “É um alimento de fácil digestão, rico em anticorpos e enzimas essenciais para a recuperação de bebês internados em unidades neonatais”, exemplifica Cruz.
Desafio dos estoques
Dados da Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) e Postos de Coleta (PCLH) do DF demonstram que, no primeiro trimestre de 2026, 4.089 recém-nascidos foram beneficiados. Somente em março, foram realizados 1.439 atendimentos e coletados 1.713 litros de leite, com 15.927 atendimentos totais registrados no mês.
A rede da SES-DF, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), é responsável por mais de 92% desses serviços, o que evidencia a eficácia do sistema de visitas domiciliares para a captação. Apesar do desempenho, o volume coletado ainda não atingiu a meta mensal estabelecida.
Maria das Graças Cruz alerta que os estoques estão em nível baixo desde novembro, período crítico devido às férias, e ainda não se recuperaram totalmente. A coordenadora aponta para a urgência em ampliar o número de doadoras ativas para suprir a necessidade contínua das unidades neonatais. “A demanda por leite humano é contínua e, por vezes, superior à oferta disponível, o que torna fundamental a ampliação do número de doadoras ativas para garantir que nenhum bebê vulnerável fique sem o suporte nutricional necessário”, detalha Maria das Graças.
Como se tornar uma doadora
Qualquer mulher saudável que esteja amamentando e possua excedente de leite pode se tornar doadora. O cadastro pode ser realizado de forma simples pelo telefone 160 (opção 4) ou pelos sites Amamenta Brasília e Portal do Cidadão.
Após o registro, a voluntária recebe orientações e um kit para a coleta. O CBMDF realiza a busca do pote de leite na residência da doadora, garantindo segurança e comodidade. O material passa por um rigoroso processo de controle de qualidade e pasteurização antes de ser distribuído.
A rede, composta por 14 Bancos de Leite e sete Postos de Coleta, também oferece acolhimento e orientação a todas as mães com dificuldades na amamentação. “Esse suporte integral visa não apenas garantir o estoque para os bebês internados, mas também proteger e incentivar o aleitamento materno em toda a comunidade”, finaliza a coordenadora.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










