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21 jan 2026 10:51

Rollemberg e Cristovam: 20 anos, 19 pontos. Qualquer semelhança é mera coincidência

Por Fred Lima

1995 e 2015, dois anos muito parecidos para a política do Distrito Federal. Há vinte anos, o então governador do PT, Cristovam Buarque, era avaliado como o pior governador do país por uma matéria da revista Veja, intitulada “Vitrine Espatifada” (abaixo), com a foto do governador sorrindo, sentado em sua cadeira numa posição confortável. Cristovam obtinha na época um saldo negativo de 19 pontos. Sua gestão era carimbada de lenta, ineficiente e burocrática. Por coincidência, o secretário de Governo de Cristovam era Hélio Doyle, o chefe da Casa Civil do governador Rodrigo Rollemberg. Assim como hoje, muitas críticas se faziam a Doyle, alegando que o secretário de Governo era burocrata demais, um técnico de visão muito limitada.

Lembro-me que durante a eleição de 1994, eu e duas tias professoras íamos fazer campanha para Cristovam na Comercial Sul e Norte de Taguatinga/DF, cantando que “Cristovam Buarque é a nossa solução”. Foi neste ano que comecei a me interessar bastante por política, tanto a nacional quanto a local. Eu só tinha 13 anos, mas já acompanhava de perto o desenrolar da política. Lá para o meio do ano seguinte, a insatisfação tomou conta da população. Até minhas tias, petistas convictas, questionavam o governo Cristovam, mas usavam como desculpa toda a lentidão e falta de rumo por causa do “abacaxi que Roriz deixou”. Parece que a prática de jogar toda a culpa nas costas do antecessor vem desde aquela época. Rollemberg era o secretário de Turismo.

Matéria da revista Veja, onde Cristovam foi avaliado como o pior governador do Brasil. Divulgação

Voltando aos dias atuais, a herança maldita deixada pelo ex-governador Agnelo Queiroz não é brincadeira. Dizem que o brasileiro tem a memória curta, mas eu diria que a do brasiliense é uma das mais curtas do mundo. Estão esquecendo o espólio nocivo de Agnelo. Muitos exigem que Rollemberg resolva em um passe de mágica todos os problemas do DF, com apenas seis meses de mandato. Assim não dá. O que se deve exigir atualmente do governador – levando em consideração a erva daninha que herdou – é o início de um projeto novo para a cidade. Todavia, parece que não existe. Assim como Cristovam, Rollemberg montou seu secretariado com profissionais de perfil técnico, sem traquejo com a praticidade administrativa da máquina pública. Mas Cristovam pelo menos tinha um projeto: a educação, motivo que usava como desculpa pela sua péssima avaliação no ano de 95, alegando que investimento em educação não era algo que se via de forma imediata, ao contrário de obras de infraestrutura. O aclamado Bolsa Escola se transformou em referência nacional de projeto educacional e social. E qual o projeto de Rollemberg? Apenas a mudança de logomarca do Governo de Brasília, abolindo as cores partidárias?

De volta ao passado, todos sabem o que aconteceu com a gestão Cristovam Buarque no DF: foi reprovada nas urnas, na eleição de 1998. A truculência também foi uma marca da era Cristovam, especialmente em se tratando de moradia. E não é que a AGEFIS de Rollemberg vem relembrando os anos Buarque? E quem é a chefe da AGEFIS? Bruna Pinheiro, considerada uma técnica sem nenhuma sensibilidade com os moradores de terrenos irregulares, especialmente os mais pobres.

Não dá para repetir o passado, governador. Mude rapidamente seu secretariado burocrático, engessado e insensível; nomeie administradores compromissados com as cidades onde residem, não somente candidatos derrotados da última eleição; retire os petistas em posições estratégicas no governo; melhore sua forma de se comunicar com a população – só rodas de conversas não bastam, visto que o período é crítico; abra um canal de comunicação com a imprensa, respeitando os meios de comunicação; retire os superpoderes delegados a auxiliares; mesmo com a crise econômica, inove, buscando empreendimentos para o DF e sua Região Metropolitana. Se fizer tudo isso, com certeza seu governo dará a volta por cima e deixará um grande legado para Brasília. Caso contrário, o mesmo destino de Cristovam te espera nas urnas em 2018.

Fonte: Blog do Fred Lima

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