22.5 C
Brasília
18 jan 2026 10:59

Por unanimidade, 5ª Turma do TJDFT suspende remoção de painel do Metrópoles

Relator do pedido de reconsideração, o desembargador Marco Antônio da Silva Lemos comparou a ação do GDF ao ataque a Pearl Harbor

Por Manoela Alcântara

A 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) determinou nesta quarta-feira (6/6), por unanimidade, a suspensão da retirada do painel digital do Metrópoles, instalado no Setor Bancário Sul (SBS). Desde sábado (2), equipes da Agência de Fiscalização (Agefis) e do Corpo de Bombeiros fazem a remoção das placas.

“Houve falta de bom senso. Foi feito sem contraditório, às ocultas. Em uma semana morta, de feriado”, destacou o relator do pedido de reconsideração feito pelo site, o desembargador Marco Antônio da Silva Lemos.

O magistrado comparou a ação deflagrada pelo governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) ao ataque do Japão à base americana de Pearl Harbor, que marcou a entrada dos EUA na 2ª Guerra Mundial. “Tenho elementos de convicção para dizer que houve uma ação muito atrapalhada”, completou.

De acordo com a decisão da Turma, a remoção fica suspensa até o julgamento de mérito da ação. “A Agefis nem sequer sabia o que remover. Houve ausência de diálogo. Houve aplicação de uma tática de guerra. Não houve transparência. Esse painel divulgava notícias contra o GDF”, destacou o magistrado.

O desembargador lembrou, ainda, que a empresa obteve licenciamento e passou a publicar notícias de forma moderna: “Houve excessos da Agefis e dou provimento à reconsideração. Estamos num mundo digital e não podemos atuar de forma analógica”, pontuou. “Se isso (a ação da Agefis) colide com a garantia constitucional de liberdade de imprensa, é matéria de mérito. Até para um efeito pedagógico isso não pode ser chancelado pela Justiça”, completou.

Dos outros quatro desembargadores que compõem a turma, Josaphá Francisco dos Santos também pediu a palavra antes da decisão: “Se o painel estava ali, tinha uma autorização do GDF. E por que foi retirado às pressas? O bom senso mandaria que o desligasse para analisar o mérito”. Os demais magistrados também seguiram o relator.

Também serão julgados no mérito da ação os pedidos para a devolução das placas e a reinstalação do engenho publicitário.

Por meio de nota, a Agefis disse que “aguarda ser oficialmente comunicada para que possa conhecer o exato alcance da decisão”.

Censura
Logo após a ação do GDF, o Metrópoles recebeu apoio de vários setores da sociedade. A medida de retirar o equipamento foi considerada censura, uma vez que se deu logo depois de o painel começar a divulgar conteúdos com críticas ao governo de Rollemberg. Sites, jornalistas, colunistas, advogados, ex-ministros e a população em geral saíram em defesa do portal.

Alguns dos principais nomes da advocacia no Brasil não pouparam críticas contra censura do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao Metrópoles. Eles classificaram a remoção do painel digital do grupo de comunicação, feita pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis) no último sábado (2/6), como uma agressão à liberdade de expressão.

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo considerou preocupante a atuação do Governo do Distrito Federal (GDF). “Vejo com muita preocupação as circunstâncias da intervenção. Temo que a liberdade de expressão esteja sendo gravemente ferida, visto as condições atípicas da tramitação do processo e da ação do governo. É absolutamente lamentável o abuso do poder para impedir críticas”, afirmou.

Para um dos criminalistas mais renomados do país, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o ato tem objetivo de disfarçar falhas da atual gestão local. “Quando se faz algo assim, com essa força autoritária, nos parece que ele [Rollemberg] quer esconder um governo que não tem conseguido falar diretamente com a população”, condenou.

Para o advogado João Maria de Oliveira Souza, ex-secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de ferir gravemente a liberdade de imprensa, a ação retirou o acesso da população a informações de interesse público fornecidas pelo painel. “A remoção fere o direito coletivo, além de ser um ato de censura e uma tentativa de impedimento da atuação do jornalismo crítico.”

O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Bernardino Costa destacou a inoperância do governo em combater a presença de propaganda irregular e apontou a contradição diante da rapidez do poder público para retirar a empena. “Deixa a entender que, nesse episódio, o que fez diferença foi realmente o conteúdo do painel”, afirmou.

Costa refere-se ao fato de o equipamento ter sido removido dias após um sindicato da área de saúde usar o espaço para divulgar críticas à gestão Rollemberg.

Documentação
A atitude arbitrária e censora do Governo do Distrito Federal (GDF) de retirar o painel digital que pertence ao Metrópoles, neste sábado (2/6), não encontra solidez jurídica. O artigo da Lei nº 3035/2002 utilizado como argumento pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis) para a remoção do espaço não foi ferido pela empresa.

O inciso I do artigo 16 da legislação diz que “a instalação de meios de publicidade em edificações de uso comercial de bens e serviços, industrial ou coletivo, deve ser feita nos lotes e projeções edificados cujo usos e locais de fixação sejam os estabelecidos nesta seção”.

A alegação da Agefis é falha, porque o Metrópoles aluga o 16º andar do edifício onde o painel está instalado, além de parte da fachada do prédio, para exposição de sua empena luminosa, conforme documentação enviada no pedido de efeito suspensivo à Justiça. Portanto, não está ferindo nem infringindo o citado artigo da lei que regula a matéria.

Além da ausência de ato ilegal, o caput do artigo 16 não inclui o Setor Bancário Sul e o Setor Bancário Norte. Ou seja, a ação da Agefis não faz qualquer menção à área em questão.

A empena, que desde fevereiro veicula conteúdos de natureza publicitária, de serviços e notícias a milhares de brasilienses, passou por todos os processos administrativos e legais necessários antes de entrar em funcionamento, inclusive obtendo licença junto à Administração Regional do Plano Piloto.

Cidades de Minas e Ceará iniciam vacinação com dose única contra dengue

Por Kleber Karpov As cidades de Maranguape (CE) e Nova...

Projeto Ciência na Estrada leva experiências científicas a 12 regiões do DF

Por Kleber Karpov A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação...

Pesquisa apoiada pela FAPDF valida fita antimicrobiana para uso hospitalar

Por Kleber Karpov Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Apoio...

Obras da UPA do Guará avançam para fase de concretagem

Por Kleber Karpov O Governo do Distrito Federal iniciou a...

GDF Mais Perto do Cidadão registra 3 mil atendimentos em Ceilândia

Por Kleber Karpov A Secretaria de Justiça e Cidadania do...

Governo federal lança campanha contra racismo no carnaval do Rio de Janeiro

Por Kleber Karpov O Ministério da Igualdade Racial lançou, na...

UPAs do Distrito Federal recebem ações de cuidado com a saúde mental

Por Kleber Karpov As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e...

Destaques

Cidades de Minas e Ceará iniciam vacinação com dose única contra dengue

Por Kleber Karpov As cidades de Maranguape (CE) e Nova...

Líderes do Mercosul e União Europeia assinam acordo para criar maior área de livre comércio

Por Kleber Karpov Autoridades da América do Sul e da...

Projeto Ciência na Estrada leva experiências científicas a 12 regiões do DF

Por Kleber Karpov A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação...

Pesquisa apoiada pela FAPDF valida fita antimicrobiana para uso hospitalar

Por Kleber Karpov Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Apoio...

Obras da UPA do Guará avançam para fase de concretagem

Por Kleber Karpov O Governo do Distrito Federal iniciou a...