Por Kleber Karpov
Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (27/Abr) pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres revelou que, em dezembro de 2025, as mulheres ocupavam 253,4 mil dos 537,9 mil vínculos empregatícios em empresas com 100 ou mais funcionários no Distrito Federal, o que corresponde a 47,1% do total. Apesar da representatividade, os dados do Painel do Relatório de Transparência Salarial apontam que a desigualdade de remuneração persiste, com as trabalhadoras recebendo, em média, 8,7% a menos que os homens na capital.
De acordo com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial, o Distrito Federal possuía 1.054 estabelecimentos com 100 ou mais empregados no período analisado. Do total de 253,4 mil postos ocupados por mulheres, 154,8 mil (61%) eram de mulheres negras, enquanto 98,6 mil (38,9%) eram de não negras. Entre os homens, que somavam 284,5 mil vínculos, 181,8 mil (63,9%) eram negros e 102,7 mil (36%) eram não negros.
Desigualdade salarial persiste
A remuneração média das mulheres no DF foi de R$ 6.018,24, contra R$ 6.596,17 dos homens. A disparidade é ainda mais acentuada quando o fator racial é considerado. Mulheres negras tiveram um rendimento médio de R$ 4.569,60, enquanto o valor para mulheres não negras foi de R$ 8.341,33. No mesmo cenário, homens negros receberam, em média, R$ 4.945,82, e homens não negros, R$ 9.620,80.
Panorama nacional de emprego
Em âmbito nacional, o relatório mostra um avanço na contratação de mulheres negras em grandes empresas. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, um acréscimo de 1 milhão de contratações formais.
No mesmo período, o emprego total de mulheres cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8,0 milhões. Contudo, a desigualdade salarial no Brasil aumentou, com as mulheres recebendo 21,3% a menos que os homens em 2025, ante 20,7% em 2023.
Análise dos ministérios
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que a luta pela igualdade vai além dos valores nominais. “Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, disse.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou a necessidade de focar na progressão de carreira das mulheres. “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”, afirmou.
A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, ressaltou a importância do documento como ferramenta para políticas públicas. “Esse relatório é um instrumento muito importante para todos nós que buscamos promover igualdade de gênero, igualdade de raça, que trabalhamos para que a política pública melhore, que trabalhamos para promover ações afirmativas e garantir que mulheres tenham melhores salários, que mulheres negras, que ainda seguem sendo aquelas que recebem os piores salários, recebam de acordo com o trabalho que exercem”, declarou.
Políticas de incentivo e liderança
O levantamento registrou um crescimento de 12% no número de estabelecimentos com mulheres em cargos de gerência e direção, alcançando 13,7 mil empresas. Além disso, 7% dos estabelecimentos informaram manter políticas de contratação de mulheres vítimas de violência.
O relatório também aponta que a diferença salarial varia conforme o porte da empresa. Em estabelecimentos com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres alcança 90% da equivalência com a dos homens, enquanto a distância é mais acentuada em empresas de maior porte.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










