Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa

Países que sediam evento enfrentam surtos ativos da doença

Por Kleber Karpov

O Ministério da Saúde emitiu, nesta quinta-feira (23/Abr), um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil. O aviso ocorre em função do intenso fluxo de viajantes esperado para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada a partir de junho pelos Estados Unidos, Canadá e México. A preocupação é agravada pelo fato de os três países enfrentarem surtos ativos da doença, levando a pasta a reforçar as recomendações de vacinação.

A Copa do Mundo 2026, que acontece entre 11 de junho e 19 de julho, deve atrair milhões de pessoas, incluindo um grande número de viajantes internacionais. Em nota técnica, o ministério destacou que eventos dessa magnitude podem facilitar a propagação de doenças transmissíveis devido à intensa mobilidade populacional.

“Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”, destacou o ministério no documento.

A situação epidemiológica nos países-sede é alarmante. O Canadá, que perdeu a certificação de país livre de sarampo, registrou 5.062 casos em 2025 e 124 em 2026. O México saltou de sete casos em 2024 para 6.152 em 2025, com 1.190 novos registros em janeiro de 2026. Já os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 apenas no primeiro mês de 2026.

O agravamento do cenário levou a região das Américas a perder o status de zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025. O Ministério da Saúde adverte que “há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”.

Vulnerabilidade do Brasil

Apesar do contexto regional, o Brasil mantém desde 2024 o status de país livre da circulação endêmica do vírus. Em 2025, foram registrados 3.952 casos suspeitos, com 38 confirmações. Destes, dez foram importados, 25 relacionados à importação e três tiveram fonte de infecção desconhecida.

Um dado preocupante revelado pela pasta é que 94,7% dos casos confirmados em 2025, o equivalente a 36 de 38, ocorreram em pessoas sem histórico vacinal. Em 2026, até meados de março, o país já confirmou dois casos em pessoas não vacinadas: uma criança de 6 meses em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia, e uma jovem de 22 anos no Rio de Janeiro.

“O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto”, afirma o ministério.

Barreira de proteção

A nota técnica reforça que a vacinação é a principal medida de prevenção e controle do sarampo, sendo oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). No entanto, os dados de cobertura ainda apresentam falhas. Em 2025, a primeira dose atingiu 92,66% do público-alvo, próximo da meta de 95%, mas a segunda dose alcançou apenas 78,02%.

“Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”, ressaltou o documento.

O Departamento do PNI alertou que “a vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”. A orientação para viajantes internacionais é verificar a caderneta e atualizar a situação vacinal com antecedência mínima de 15 dias antes do embarque.

Risco real

Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o risco de a doença voltar a circular no país é concreto. Ele aponta a coincidência entre a recuperação do status de zona livre pelo Brasil e o grande surto que atinge as Américas.

“Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai”, disse Kfouri.

Ainda segundo Kfouri “o deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real” e que “a chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”. Ele lembra que casos importados são esperados, mas a vacinação impede que eles gerem surtos locais.

“Casos importados vão acontecer. Em 2025, tivemos 35. Mas esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença. Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”, explicou.

O especialista reforça a necessidade de manter a população vacinada e de capacitar os profissionais de saúde para o reconhecimento precoce da doença, permitindo ações imediatas de isolamento e bloqueio. “Que neste momento de aglomeração, que a gente tenha um cuidado ainda maior. Viajar com a vacinação em dia, e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas”, concluiu.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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