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31 jan 2026 18:49

‘Louco é quem me diz’: 20 anos depois, psiquiatra revisita histórias de pacientes em nova edição de livro

Livro de crônicas de Ana Yuri Matsumoto ganha novas histórias e ilustrações, reforçando a importância de dar voz a pessoas com transtornos mentais

Desde o início da residência médica, a psiquiatra Ana Yuri Matsumoto se perguntava: afinal, o que é normalidade? Ao conviver diariamente com pacientes estigmatizados como “loucos”, ela percebeu que a linha entre “normal” e “anormal” é muito mais tênue do que a sociedade costuma admitir. Dessa inquietação nasceu a ideia de reunir histórias em um livro de crônicas.

Publicado pela primeira vez em 21 de outubro de 2005, Louco é quem me diz tornou-se leitura recomendada em cursos de Psicologia e referência no debate sobre saúde mental. Agora, em 2025, a médica e escritora autodidata lança a edição comemorativa, revista e ampliada da obra. O evento será no dia 10 de outubro (sexta-feira), às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping CasaPark, em Brasília (DF).

O livro reúne relatos de pacientes em internação psiquiátrica, trazendo à tona experiências singulares que, ao mesmo tempo, espelham aspectos universais da condição humana. Entre eles, um homem com Transtorno Delirante Persistente que acreditava que uma pomba no pátio era, na verdade, uma microcâmera secreta filmando seus passos; um paciente com Transtorno Bipolar e duas graduações, que alternava fases de euforia e depressão ao ritmo de conquistas profissionais e quedas abruptas; e uma jovem mulher que vivia como se não houvesse limites para o que podia fazer, viver ou imaginar.

Com escrita envolvente e acessível, Matsumoto aproxima o leitor das dores, contradições e sonhos de seus personagens reais, revelando pontos de contato entre eles e qualquer um de nós. A nova edição traz crônicas inéditas, revisões das histórias originais e ilustrações exclusivas da artista visual Luda Aquareluda, que dão nova dimensão ao projeto.

As primeiras crônicas nasceram nos tempos de residência em Psiquiatria, no Hospital de Base de Brasília, e foram publicadas de forma artesanal em 2005. A repercussão foi imediata, surpreendendo a autora. Desde então, sua produção busca combater o estigma que ainda recai sobre pessoas com transtornos mentais.

O “louco”

Para a psiquiatra, a cultura não deveria excluir, mas acolher. “O ‘louco’ que habita no outro pode ser reconhecido em cada um de nós, e isso é parte do que nos torna humanos. Assim como nas aquarelas, cada cor é única, mas sempre há tonalidades em comum. É nessa semelhança que encontramos a ponte para aceitar as diferenças”, afirma.

O relançamento ocorre em um contexto delicado: o período pós-pandemia, marcado pelo aumento nos índices de suicídio, casos de cyberbullying, falas psicofóbicas e crimes relacionados a transtornos mentais. Enquanto isso, o acesso a informação e cuidados em saúde mental continua insuficiente.

O projeto de reedição contou com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC).

Divulgação

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