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10 mar 2026 00:34

Guerra no Irã: preço do petróleo dispara e atinge maior valor desde 2022

Por Kleber Karpov

A escalada da guerra entre o Irã e uma coalizão formada por Estados Unidos e Israel provocou, nesta segunda-feira (09/Mar), uma disparada nos preços do petróleo, que atingiram os maiores valores desde 2022. A crise, intensificada por ameaças iranianas de bloquear a exportação de petróleo no Estreito de Ormuz e por ataques a infraestruturas energéticas na região, levou os ministros das Finanças do G7 a uma reunião de emergência para discutir a estabilidade do mercado global.

Escalada militar no Irã

A Guarda Revolucionária do Irã declarou que irá “determinar o fim da guerra” e que Teerã não permitirá que “um litro de petróleo” seja exportado da região se os ataques dos EUA e de Israel continuarem. A declaração ocorre em um momento de transição de poder, com Mojtaba Khamenei sucedendo seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo após este ser morto em um ataque israelense no início do conflito.

A nomeação de Mojtaba Khamenei, um clérigo xiita de 56 anos com forte base de apoio nas forças de segurança, sinaliza a continuidade de uma linha dura em Teerã. A mídia estatal iraniana exibiu grandes manifestações de apoio ao novo líder em várias cidades, enquanto a TV estatal relatou o som de explosões próximas a Isfahan, atribuídas a aparentes ataques aéreos.

Em meio à tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu sinais conflitantes. Embora tenha previsto que a guerra poderia terminar “muito rapidamente”, ele também afirmou que o conflito continuaria até que o Irã fosse “total e decisivamente derrotado”. Trump, no entanto, não especificou como seria essa vitória.

Impacto nos mercados globais

A reação dos mercados financeiros foi imediata e severa. Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 15,51 (16,7%), para US$ 108,20 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançou US$ 14,23 (15,7%), para US$ 105,13. Durante o dia, o Brent chegou a atingir US$ 119,50 e o WTI, US$ 119,48, um aumento de até 30% desde o início da guerra.

A principal causa da volatilidade é o temor de interrupções prolongadas no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo. A crise já desacelerou as atividades de transporte, deixando os compradores asiáticos, que dependem do petróleo do Oriente Médio, especialmente vulneráveis.

Resposta internacional

Diante da crise, os ministros das Finanças do G7 – grupo que reúne França, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido – se reuniram nesta segunda-feira. O grupo discutiu a possibilidade de liberar reservas de emergência para conter a alta, mas, por enquanto, decidiram não tomar essa medida.

Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), alertou para a gravidade da situação. “Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado”, afirmou.

Análise de especialistas

A análise é compartilhada por Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos da OCBC. “A menos que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz sejam retomados em breve e que as tensões regionais diminuam, é provável que a pressão de alta sobre os preços persista”, disse Menon.

Interrupções na produção

Além do bloqueio no Estreito de Ormuz, a produção de petróleo na região já foi afetada. Iraque e Kuwait começaram a cortar a produção, somando-se a reduções anteriores de gás natural liquefeito do Catar. Analistas esperam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também reduzam a produção em breve por falta de capacidade de armazenamento.

Ataques diretos a infraestruturas agravaram o cenário. A Bapco, do Bahrein, anunciou uma interrupção por força maior após um ataque ao seu complexo de refinarias. Um incêndio foi registrado na zona industrial petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e a Arábia Saudita interceptou um drone que se dirigia ao campo petrolífero de Shaybah.

Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), destacou que os impactos iniciais serão mais fortes na Ásia e na Europa. “Só que, se o conflito se mantiver, se aprofundar, a tendência é que haja um impacto global de maiores repercussões”, comentou. Álvares também apontou que o Brasil, através da Petrobras, pode se beneficiar como um fornecedor alternativo no mercado global.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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