Estudo avalia relação entre deficiência e desigualdade social no DF

Número de pessoas com deficiência é maior no mercado informal

Por Alex Rodrigues

Estudo do Instituto de Pesquisas e Estatísticas do Distrito Federal (Ipedf) confirma que, no geral, pessoas com algum tipo de deficiência física ou intelectual estão mais expostas à vulnerabilidade socioeconômica e às múltiplas formas de discriminação do que a população em geral.

Embora o foco da pesquisa, divulgada hoje (8) pelo instituto, seja realidade no DF, as constatações fazem eco a estudos globais como o relatório que a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou em 2018, apontando que, apesar de avanços, pessoas com deficiência continuam em desvantagem quando analisados os parâmetros dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em setembro deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também divulgou um estudo inédito sobre a correlação entre deficiência e desigualdades sociais no Brasil.

Com base em dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2021, os pesquisadores do Ipedf afirmam que não só a deficiência aumenta a probabilidade da pessoa conquistar uma menor renda financeira ao longo da vida, como a pobreza aumenta as chances delas se tornarem deficientes e aprofunda as limitações de quem já tem necessidades especiais.

Dos moradores do Distrito Federal com alguma deficiência que responderam à PDAD 2021, mais de 18% tinham procurado um emprego nos 30 dias prévios à entrevista e não foram contratados. Já entre quem declarou não ter nenhuma deficiência, o percentual foi de 10,8%.

Desigualdade

“Olhando para a sobreposição de desigualdades, podemos ver que, das pessoas com deficiência, 3,2% se encontram na classe A e 26,8% na classe D/E”, destacou a pesquisadora Victória Evellyn Costa Moraes Sousa, frisando que, entre as camadas sociais de menor poder aquisitivo, é maior o número de pessoas com deficiência.

“Além disso, [no DF] a proporção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho informal também é muito maior: 35,3% contra 22,6% [de pessoas que declaram não ter nenhuma necessidade especial]. Isso pode ser um indicativo de que as pessoas com deficiência se encontram em maior proporção em ocupações precárias, de forma mais estável e, consequentemente, com menores salários”, comentou Victória ao apontar que pessoas com necessidade especiais receberam, em média, 40% a menos de salário do que pessoas sem deficiência.

Ao desmembrar dados da PDAD 2021 sobre escolaridade, os pesquisadores do Ipedf identificaram que embora o percentual de crianças com deficiência (63,5%) devidamente matriculadas em escolas não divirja muito do número de crianças sem qualquer necessidade especial (66,4%), a maioria delas (81,8%) estuda em escolas públicas, contra 68,5% das demais. Ou seja, a quantidade de crianças com deficiência e em idade escolar que precisam da rede pública de ensino é muito maior.

Além disso, mais de 26% das crianças com deficiência apresentaram uma defasagem escolar de dois ou mais anos e apenas 13,8% dos moradores do Distrito Federal com alguma deficiência completaram o ensino superior, contra 35,9% das pessoas sem deficiência.

“Isso pode ser resultado das desvantagens socioeconômicas desta população [com necessidades especiais], mas existe também um outro fator que colabora para isso: todo o arcabouço institucional da escola pública favorece à acessibilidade e a inclusão das crianças com deficiência”, ponderou a pesquisadora, sugerindo que, por imposições legais, a rede pública é mais receptiva.

Devido a uma mudança na forma como são identificadas as pessoas com deficiência, diminuiu de 139.012 para 113.642 o número de moradores do Distrito Federal que, ao responder a PDAD, afirmaram ter alguma dificuldade intelectual, visual, auditiva, para caminhar ou subir degraus.

“O que não quer dizer que haja uma diminuição da quantidade de pessoas com deficiência no Distrito Federal, sendo esta uma questão relacionada à forma como isso é perguntado”, acrescentou a pesquisadora. Em termos proporcionais, os números significam que o percentual de pessoas com necessidades especiais passa a ser de 3,8% da população total, e não mais os 4,8% apontados em 2018.

Entre os moradores do Distrito Federal com necessidades especiais, 43,2% têm deficiência visual em algum grau. Em seguida, vêm as chamadas deficiências múltiplas (22,6%); física (19,8%); auditiva (7,2%) e intelectual (7,2%). E a maioria dos moradores tem mais de 60 anos – com exceção do grupo de pessoas com deficiência intelectual, entre os quais a maioria tem por volta de 20 anos de idade.



Política Distrital nas redes sociais? Curta e Siga em:
YouTube | Instagram | Facebook | Twitter






Mulheres vão às ruas pela votação do PL da Misoginia

Por Kleber Karpov O coletivo Levante Mulheres Vivas promoveu manifestações...

Federação União Progressista oficializa Celina Leão à reeleição ao GDF

Por Kleber Karpov A Federação União Progressista oficializou, neste domingo...

Campanha de multivacinação começa nesta segunda (3) em todo o DF

Por Kleber Karpov O foco prioritário da iniciativa são crianças...

Republicanos confirma Tarcísio à reeleição ao governo de São Paulo

Por Kleber Karpov O Partido Republicanos confirmou, neste sábado (1/Ago),...

Celina e Kicis confirmam que Michelle Bolsonaro aceitou ser candidata ao Senado

Por Kleber Karpov Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama do Brasil, foi confirmada...

SP: alta de casos de sarampo aumenta preocupação dos serviços de saúde

Por Kleber Karpov Uma mobilização especial para combater o sarampo...

Destaques

Mulheres vão às ruas pela votação do PL da Misoginia

Por Kleber Karpov O coletivo Levante Mulheres Vivas promoveu manifestações...

Federação União Progressista oficializa Celina Leão à reeleição ao GDF

Por Kleber Karpov A Federação União Progressista oficializou, neste domingo...

20 anos da Lei Maria da Penha: proteção à mulher ainda é insuficiente, indica análise

Por Kleber Karpov Ao completar 20 anos em agosto, a...

Transparência: deputado estadual cria portal próprio para prestar contas de destinação e execução de emendas

Por Kleber Karpov O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil-SP)...

Campanha de multivacinação começa nesta segunda (3) em todo o DF

Por Kleber Karpov O foco prioritário da iniciativa são crianças...