Por Kleber Karpov
Representantes do setor industrial e do comércio nacional protocolaram, na quarta-feira (4), uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de suspender a vigência da Emenda Constitucional 141, que encerra o regime de trabalho conhecido como escala 6×1. As entidades argumentam que a nova legislação, promulgada recentemente pelo Congresso Nacional, compromete a segurança jurídica e a autonomia nas relações de trabalho, além de gerar um aumento expressivo nos custos operacionais das empresas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) sustenta que a alteração normativa viola princípios fundamentais da ordem econômica, especificamente a livre iniciativa. O texto da ação aponta que a obrigatoriedade da nova jornada interfere diretamente em pactos já estabelecidos entre empregadores e empregados, que contemplam regimes de compensação de horas e folgas específicas para setores que operam de forma contínua.
Impactos financeiros
O cálculo apresentado pela entidade indica que a redução das horas trabalhadas, aliada à manutenção do salário integral e ao aumento do período de descanso semanal, elevará o custo da mão de obra formal no setor produtivo em 11,1%. Esse percentual corresponde a um montado estimado em R$ 88 bilhões. Para a CNI, a viabilidade de plantas industriais que não podem parar a produção depende de acordos coletivos que permitem ciclos de compensação plurimensais ou anuais, mecanismo que, segundo a entidade, seria prejudicado pela nova regra.
“As convenções e acordos coletivos de trabalho vigentes devem manter plenos efeitos até o término regular de seus prazos de vigência ou até que sobrevenha nova pactuação coletiva autônoma”, afirma a CNI.
“A viabilidade dessas plantas fabris sempre dependeu tanto da negociação coletiva de regimes compensatórios com ciclos plurimensais ou anuais quanto da previsão legal de regimes diferenciados de trabalho e repouso cumulativo”, completou a entidade.
Posicionamento do setor de serviços
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), segunda signatária da ação, adota uma estratégia distinta em relação à implementação do novo modelo. A entidade não busca apenas a suspensão imediata, mas propõe um adiamento da entrada em vigor da jornada reduzida. O pleito da CNC é que a nova regra, que originalmente deve ser aplicada a partir de 15 de dezembro deste ano, tenha seu início postergado para outubro de 2027, tempo que seria utilizado para adequação dos sistemas e renegociação dos termos laborais.
A mudança legislativa foi aprovada pelo Senado Federal no mês anterior, somando-se aos votos favoráveis já registrados na Câmara dos Deputados. A nova estrutura estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, dividida em cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, substituindo o antigo padrão de seis dias trabalhados e um de folga.
Transição e regulamentação governamental
O texto constitucional aprovado prevê um período de transição de 14 meses para a adaptação das empresas ao novo regime de 40 horas semanais. Enquanto isso, o governo federal prepara as normas executivas necessárias para a aplicação da medida. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou que o decreto regulamentador será publicado na próxima segunda-feira (9).
Segundo o ministro, a norma executiva terá a função de coordenar a transição das diferentes escalas de trabalho entre os setores da economia, assegurando que os direitos dos empregados sejam preservados sem paralisar as atividades empresariais. O decreto deverá garantir, no mínimo, oito dias de folga mensal aos trabalhadores.
A decisão legislativa foi recebida com apoio significativo pela população. Uma pesquisa de opinião realizada em fevereiro por uma empresa de consultoria mostrou que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim do sistema de seis dias consecutivos de trabalho. Para os sindicatos laborais, a alteração representa um ganho de qualidade de vida, permitindo mais tempo para a convivência familiar e para atividades de estudo ou lazer.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;
















