Por Kleber Karpov
A extensão do horário de votação no segundo turno da eleição presidencial, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou 5.052 votos em todo o país após as 17h, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo programador Apolinário Passos (26/Out). O montante correspondeu a 0,004% dos votos válidos e se mostrou inexpressivo para alterar o resultado da disputa, definida por uma diferença superior a 4,4 milhões de sufrágios em favor de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. A revelação de Passos, desfez suspeitas levantadas pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) e apoiadores, a exemplo do coach e empresário Pablo Marçal, visto que a vantagem do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva superou 4,4 milhões de votos.
O levantamento realizado por Passos indicou que a extensão de horário atingiu 7.352 urnas eletrônicas, o equivalente a 1,48% dos 497.882 aparelhos utilizados em território nacional no pleito de 2026. Para afastar a interferência de eleitores que já aguardavam nas seções eleitorais, a apuração considerou unicamente as urnas ativas após as 17h45.
A filtragem técnica desfez estimativas divulgadas inicialmente por veículos de imprensa, que apontavam cerca de 35 mil votos computados após as 17h. Aquele cálculo anterior englobou cidadãos que ingressaram nas filas antes do término regular do período de votação e que já possuíam direito legal de votar, independentemente de qualquer determinação judicial.
O candidato derrotado Flávio Bolsonaro afirmou na noite de 25 de outubro que não aceitaria o resultado e sinalizou a intenção de judicializar a eleição. Em pronunciamento à imprensa, o senador criticou a decisão monocrática de Zanin e a classificou como intervenção indevida nas normas do processo eleitoral.
“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, e ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17:01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, disse Flávio Bolsonaro.
Angu no caroço
Indicado como um dos responsáveis pela derrocada de Flávio Bolsonario, o empresário Pablo Marçal foi taxativo ao sugerir que “Tem algum caroço nesse angu”. Isso ao sugerir a possibilidade de os votos a levarem Lula à vitória fossem provenientes de votos registrados após as 17 horas. Questionado sobre a diferença de votos, na noite de domingo (25/Out), o coach criticado pela atuação de Bolsonaro no debate da Band (18/Out), Marçal foi enfático.
“É tão simples. Se os dados forem abertos, a gente vê o registro dos votos depois das 5 horas da tarde. São coisas básicas. O problema: eu quero ver se vão abrir os dados.”, disse Marçal ao questionar ainda o redução do índice de abstenção dos eleitores de Lula. “A redução da abstenção, por exemplo, não é um dado que favorece o Lula? Alguém lá no Ceará, você vai falar que a abstenção foi reduzida de tal forma como se a cada dez pessoas nove foi votar? Tem certeza disso? Abstenção nacional mais de vinte. Como é que em um lugar onde teve uma virada, inclusive Ciro Gomes estava na frente, tem algum caroço nesse angu aí”, concluiu.
5 mil ou 35 mil?
Importante ressaltar que, na manhã desta segunda-feira (26/Out), algumas reportagens publiaram sobre estimativa de 35 mil votos regsitrados, após as 17 horas. No entanto, o cálculo de Passos, não contabilizou aqueles de pessoas que já estavam nas filas no horário estipulado de finalização das votações pelo TSE, no caso concreto, aproximadamente 30 mil eleitores, uma vez que tais votantes, têm o direito constitutucional ao voto, independente da decisão de Zanin.
No caso concreto, o programador contabilizou apenasos votos registrados, em urnas ainda abertas, após as 17h45, de modo a minimizar este efeito das filas.
Normalidade
Embora insatisfeitos, a fato concreto é que o próprio presidente do TSE, o ministro Kássio Nunes Marques, endossou o rito eleitoral, o qual afirmou ter ocorrido sem quaisquer transtornos operacionais, ainda que com o adiamento do fechamneto das urnas em duas horas.
“Como os senhores já percebem, graças aos esforços administrativos do tribunal e da nossa equipe técnica, nós conseguimos solucionar. Na realidade não houve problema, nós conseguimos contornar todas essas dificuldades de última hora. Fizemos a contenção de todos os pacotes de boletim de urna do Brasil e, após as 19 horas, conseguimos dar uma fluência em um ritmo que evitasse qualquer tipo de problema técnico”, disse Marques.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;















