Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS

Acordo com farmacêutica MSD prevê transferência de tecnologia para produção de pembrolizumabe

Por Kleber Karpov

O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD firmaram uma parceria para a produção nacional do medicamento pembrolizumabe, uma terapia avançada contra o câncer, para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo, anunciado no Rio de Janeiro em (26/Mar), é resultado de um edital do Ministério da Saúde de 2024 e prevê a transferência gradual de tecnologia para o laboratório público brasileiro.

O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico a identificar e combater células cancerígenas. Considerado uma alternativa menos tóxica que a quimioterapia tradicional, o medicamento já é adquirido pelo Ministério da Saúde diretamente da MSD para o tratamento de melanoma metastático, um tipo agressivo de câncer de pele.

De acordo com a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, o tratamento atende atualmente cerca de 1,7 mil pessoas por ano, a um custo de R$ 400 milhões para os cofres públicos.

Benefícios da nacionalização

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar a inclusão do medicamento para tratar casos de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MSD projeta que a demanda possa aumentar para aproximadamente 13 mil pacientes anualmente com essa ampliação.

Fernanda de Negri explicou que a parceria possibilita a diminuição de custos, garante prioridade no fornecimento e promove o desenvolvimento tecnológico nacional. “O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro”, disse ao observar que “A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas”, completou.

Dez anos para a autonomia

O processo de transferência de tecnologia começará assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo Cruz, detalhou que a incorporação das etapas produtivas será gradual, ao longo de uma década.

“No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional”, explicou Cruz.

Complexo industrial da saúde

A parceria faz parte de uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS em até dez anos. O anúncio foi realizado durante o evento Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, no Rio de Janeiro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da abertura de maneira remota, ressaltou a importância de cooperações para o desenvolvimento do país.

“Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados”, afirmou Padilha ao destacar que “O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica”, concluiu.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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