Por Kleber Karpov
Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), protagonizaram o primeiro debate do 1º turno neste domingo (09/Ago), na Band. O encontro, com clima de 2º turno, foi marcado pelo confronto de dados sobre as gestões estadual e federal, embates sobre segurança pública, crime organizado e privatizações, sem ataques de cunho pessoal.
O primeiro tema abordado foi o desempenho da educação em São Paulo, com base nos resultados do Ideb. O mediador questionou os candidatos sobre propostas para que o estado se torne uma referência na área, citando que São Paulo está próximo da média nacional no ensino médio e avançou menos que a média do país.
Tarcísio de Freitas defendeu sua gestão, afirmando que houve avanços na alfabetização na idade certa. Ele listou como prioridades o Pacto pela Matemática, educação tecnológica com inteligência artificial, formação de professores e a ampliação de escolas de tempo integral e do ensino profissionalizante. Segundo o governador, foram ampliadas em 150 mil as matrículas e em quase 500 o número de escolas de tempo integral.
Fernando Haddad, por sua vez, classificou a situação da educação no estado como grave. O candidato do PT afirmou que São Paulo caiu da terceira colocação em qualidade do ensino médio e está abaixo da média nacional na alfabetização de crianças, com 61% contra 66% da média brasileira. Haddad criticou o projeto pedagógico estadual, que, segundo ele, substituiu o livro didático e o professor por aulas em plataformas digitais.
Segurança pública e crime organizado
No confronto direto, Tarcísio de Freitas defendeu os resultados na segurança, citando a atuação conjunta de diversas esferas de poder no combate à criminalidade no Centro da capital, especialmente na Cracolândia. Ele destacou a criação de 700 leitos para desintoxicação e 44 casas terapêuticas, além de ações de habitação e assistência social.
Haddad direcionou suas críticas para a violência contra as mulheres e os crimes raciais, afirmando que São Paulo vive uma “epidemia de crimes contra a mulher”, com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em réplica, o petista contestou os números do governador, afirmando que o feminicídio cresceu 10% em São Paulo no primeiro semestre, enquanto houve queda de 2,5% no país. “Então, o país está funcionando”, disse.
Tarcísio rebateu, afirmando que os índices de feminicídio e mortes violentas de mulheres em São Paulo são inferiores à média nacional. Ele citou a ampliação da rede de proteção, com 144 Delegacias da Mulher e 235 salas DDM funcionando 24 horas, além do protocolo Não Se Cale e do Espaço Lilás nos comandos da PM.
Remover imagem destacadaAcusação e tensão no segundo bloco
O momento de maior tensão ocorreu durante a discussão sobre o domínio territorial de facções criminosas. Tarcísio de Freitas mencionou uma imagem de Fernando Haddad ao lado de uma mulher que, segundo o governador, comandava o tráfico na favela do Moinho.
Haddad reagiu prontamente. “Eu vou saber quem é do tráfico. Você acha que eu conheço o o tráfico como você”, afirmou o candidato do PT. Ele questionou por que Tarcísio não a prendeu se sabia da acusação. “Se só você sabia que ela era uma traficante, porque você não foi lá prender”, disse, concluindo a reação com: “Então você respeita, baixa essa bola.”
Neste bloco, os candidatos também disputaram o protagonismo sobre o túnel Santos-Guarujá e debateram as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Haddad defendeu o Plano Brasil Soberano do governo federal, enquanto Tarcísio citou medidas estaduais como a antecipação da devolução de créditos de ICMS para exportadores.
Privatizações e críticas à gestão
No terceiro bloco, o foco do ataque de Haddad foi a política de privatizações de Tarcísio, cobrando uma avaliação crítica sobre a venda da Sabesp e as concessões de transporte. O governador respondeu citando obras e investimentos em diversas áreas.
A resposta levou Haddad a criticar o estilo do adversário. “Tarcísio, você é meio decoreba. Concurseiro que joga um monte de números pensamos que me intimida. Você precisa fazer uma avaliação crítica das privatizações. Um trem explodiu duas semanas atrás”, disse Haddad.
O embate seguiu com divergências sobre os investimentos do estado, a participação do governo federal em obras e a tabela SUS Paulista. Ambos os candidatos apresentaram dados e indicadores para defender suas posições e contestar os números do oponente.
Considerações finais
Em suas considerações finais, Tarcísio de Freitas defendeu os resultados de sua gestão e pediu uma nova oportunidade para continuar o trabalho, prometendo ampliar investimentos em infraestrutura e tecnologia. Por sua vez, Fernando Haddad afirmou que o governador não cumpriu promessas e criticou o aliado de Tarcísio, o prefeito Ricardo Nunes, fazendo uma acusação sobre um contrato de Wi-Fi e o PCC.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













