Por Kleber Karpov
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), confirmou nesta segunda-feira (10/Ago) a realização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A confirmação ocorre após notícia de cancelamento do evento, em decorrência da falta de recursos, indicado por parte da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC-DF). Por meio de mensagem na rede social X, a chefe do Palácio do Buriti informou ter determinado à Secretaria de Estado de Economia (SEE-DF) a provisão dos recursos necessários para o evento.
No início do dia, a organização do festival e membros do governo confirmaram o cancelamento da edição de 2026, informação essa, inicialmente divulgada pela rádio CBN. A justificativa foi um comunicado da Secretaria de Cultura e Economia Criativa aos organizadores de que não haveria verba disponível para a realização do evento, que estava programado para começar em 11 de setembro no Cine Brasília.
Rumores sobre o cancelamento circulavam há dias em decorrência de atrasos no repasse de R$ 3 milhões por parte da SESEC-DF. Além disso, a organização social contratada e uma equipe de mais de 40 pessoas estavam sem receber pagamentos, conforme noticiado na semana anterior pelo G1 e pela TV Globo. Na ocasião, o governo havia confirmado os atrasos, mas negado o cancelamento.
A confirmação da realização do festival pela governadora contradiz uma declaração dela própria na última sexta-feira. Em coletiva, Celina Leão havia afirmado que não priorizaria o evento diante da crise orçamentária do Distrito Federal, agravada pela situação do Banco de Brasília (BRB).
Crise orçamentária e o papel do BRB
Celina Leão enfrenta o desafio de garantir a gestão do Distrito Federal, dificuldade financeira essa, para realizar o festival, diretamente ligada à crise do Banco de Brasília (BRB). O Banco, desde 2024 era o patrocinador master do Festival de Cinema. No entanto, o BRB enfrenta o pior momento de sua história após operações com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, e não divulga balanços há um ano.
A falta de recursos do governo já havia impactado outros setores da cultura. Em julho, o próprio Cine Brasília, sede histórica do festival, correu o risco de fechar as portas por falta de repasses, afetando o pagamento de funcionários e fornecedores. O cinema, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1960, é o último cinema de rua do DF e considerado Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1987.
Repercussão
O anúncio do cancelamento provocou fortes críticas nas redes sociais. A atriz Maeve Jinkings classificou a notícia como “ESCANDALOSO”. Em seguida, a também atriz Alessandra Negrini comentou: “Muito triste”. A colega Barbara Colen completou: “Inacreditável! Precisamos fazer alguma coisa!”.
O Ministério da Cultura (Minc) publicou Nota ao que classificou de “grave retrocesso para o audiovisual brasileiro”. O Minc se solidarizou com “aos artistas, realizadores, produtores, técnicos, demais profissionais do audiovisual e ao público que, há seis décadas, constroem e acompanham o Festival”, além de ponderar ao aporte de apoio por meio da Lei Rouanet e do patrocínio da Petrobras, ao chamar a responsabilidade a realização do evento.
Confira a nota na íntegra
Nota MinC: Possível cancelamento do Festival de Brasília é grave retrocesso para o audiovisual brasileiro
Ministério da Cultura considera extremamente grave a possibilidade de cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O Governo Federal já apoia a realização do Festival por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras, histórica apoiadora do evento, e não permitirá que um festival dessa importância para a cultura brasileira deixe de acontecer. O MinC está mobilizado para assegurar a realização desta edição e a continuidade do mais longevo festival de cinema em atividade no Brasil.
Criado em 1965, o Festival de Brasília é um dos mais importantes e tradicionais eventos do audiovisual nacional. Ao longo de seis décadas, teve sua continuidade interrompida apenas durante a ditadura militar. Mesmo durante a pandemia, sua realização foi preservada por meio de edições virtuais. Sua trajetória se confunde com a própria história do cinema brasileiro e faz do Festival um espaço fundamental de liberdade de criação, formação de público, revelação de talentos e reconhecimento da produção audiovisual brasileira.
O Ministério manifesta solidariedade aos artistas, realizadores, produtores, técnicos, demais profissionais do audiovisual e ao público que, há seis décadas, constroem e acompanham o Festival.
O cancelamento representaria um grave desprestígio à cultura e ao audiovisual brasileiro, especialmente em um momento em que o cinema nacional alcança reconhecimento internacional e projeta a imagem do Brasil para o mundo. O setor também gera trabalho, renda, desenvolvimento econômico e oportunidades para milhares de profissionais. Nesse contexto, cancelar um festival com a relevância histórica e cultural do Festival de Brasília significaria caminhar na contramão do momento vivido pelo cinema brasileiro e desperdiçar uma oportunidade de fortalecer, no próprio Distrito Federal, uma cadeia produtiva que projeta o Brasil para o mundo.
É importante lembrar que o Distrito Federal também conta com recursos federais para o fortalecimento da cultura. Somente por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o DF recebeu mais de R$ 69,1 milhões nos dois primeiros ciclos da política, recursos transferidos pela União para o fomento à cultura no Distrito Federal.
O Ministério da Cultura considera que uma iniciativa com a relevância histórica e cultural do Festival de Brasília não pode ser tratada como secundária. O cancelamento de uma edição seria uma perda para o setor audiovisual, para a cultura e para o público brasileiro. O MinC acompanha os desdobramentos e reafirma que o Governo Federal, que já apoia o Festival por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras, trabalhará para assegurar sua realização e continuidade.
Histórico do festival
Criado em 1965, o Festival de Brasília é o mais antigo festival de cinema em atividade no Brasil. Ao longo de sua história, o evento só foi interrompido entre 1972 e 1974, como forma de protesto contra a ditadura militar, mantendo suas edições até mesmo durante a pandemia de Covid-19. Desde 2007, o festival é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













