Por Kleber Karpov
O 28º Congresso da Sociedade Brasileira de Radioterapia teve início nesta quarta-feira (29/Jul) e segue até 1º de agosto, no Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, na capital federal. O evento reúne especialistas nacionais e internacionais, além de autoridades como Mozart Sales, Secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, para discutir os avanços científicos e os desafios estruturais do tratamento oncológico no Brasil, com foco em políticas públicas, financiamento e acesso no Sistema Único de Saúde (SUS).
A programação do congresso inclui um debate central sobre os desafios enfrentados pelos pacientes oncológicos. A discussão contará com a participação de Wilson De Almeida Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT); Arthur Rosa e Marcus Castilho, ex-presidentes da SBRT; os médicos radio-oncologistas Paulo Cesar Ventura Canary e Guacyra Magalhães Pires Bezerra; Vital do Rêgo Filho, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); e Rodrigo Cariri, diretor da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES).
Um dos pontos de discussão será um estudo publicado em fevereiro na revista científica International Journal of Radiation Oncology. A pesquisa, do médico radio-oncologista Fabio Yone Morais, aponta uma grande disparidade regional no acesso à radioterapia pelo SUS. Pacientes da Região Norte precisam viajar, em média, 442 quilômetros para receber tratamento, enquanto na Região Sul a distância média é de 71 quilômetros, uma diferença que pode ser até seis vezes maior.
Financiamento e planejamento a longo prazo
A sustentabilidade da radioterapia no país é um tema central, abordando a necessidade de atualização do financiamento no SUS, a incorporação de novas tecnologias, a renovação do parque tecnológico e a formação de profissionais. Segundo Wilson De Almeida Jr., presidente da SBRT, enfrentar esses gargalos é fundamental para que os avanços científicos beneficiem mais pacientes.
“É preciso discutir o planejamento de longo prazo da radioterapia no Brasil. O aumento da incidência de câncer exigirá um sistema preparado para responder com eficiência, e isso passa, necessariamente, pela formação de novos especialistas, que hoje enfrentam desafios importantes diante da pouca valorização da especialidade e da falta de políticas voltadas ao seu fortalecimento. Ao mesmo tempo, a defasagem do financiamento da radioterapia no SUS impacta diretamente a sustentabilidade dos serviços, limita investimentos em tecnologia e dificulta a formação e a atração de novos radio-oncologistas”, afirma Wilson De Almeida Jr.
Avanços científicos em destaque
O congresso discutirá estudos de alto impacto apresentados no último ano. Entre eles, o estudo INTERLACE, focado em câncer de colo do útero localmente avançado, que avaliou a adição de quimioterapia antes do tratamento padrão de quimiorradioterapia. Os resultados mostraram um aumento na sobrevida global em cinco anos de 72% para 80% no grupo que recebeu a quimioterapia inicial.
Para o câncer de pulmão, o estudo LAURA demonstrou que o uso do medicamento osimertinibe após a quimiorradioterapia reduziu em 84% o risco de progressão da doença ou morte em pacientes com uma mutação específica (EGFR). Após três anos, 84% dos pacientes tratados com a terapia-alvo estavam vivos, contra 74% no grupo controle.
Também serão abordados estudos sobre a desintensificação de tratamento em câncer de mama, como o DEBRA (NRG-BR007) e o HERO (NRG-BR008). As pesquisas investigam a possibilidade de evitar a radioterapia em pacientes com tumores de baixo risco, refletindo a tendência de individualizar o tratamento com base na biologia do tumor.
“Os estudos mais recentes mostram que a radioterapia deixou de ser discutida apenas pela dose ou pelo número de sessões. Hoje, a pergunta é como integrar melhor a radioterapia com quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, cirurgia e biomarcadores para oferecer o tratamento mais adequado a cada paciente”, explica Raquel Guimarães, diretora de Assuntos Regionais da SBRT.
Tecnologia e IA na prática clínica
Sessões dedicadas à tecnologia abordarão temas como radioterapia adaptativa e o uso de inteligência artificial. A radioterapia adaptativa permite ajustar o tratamento em tempo real, conforme mudanças no tumor ou na anatomia do paciente, utilizando imagens de tomografia ou ressonância magnética (MR-Linac) para aumentar a precisão.
A inteligência artificial tem sido aplicada principalmente para automatizar o contorno de órgãos e estruturas-alvo no planejamento, otimizando o tempo e padronizando processos. Contudo, a supervisão de especialistas continua sendo essencial.
“A inteligência artificial e a radioterapia adaptativa não substituem a equipe. Elas ampliam a capacidade de planejamento, revisão e segurança quando usadas dentro de protocolos bem definidos. O ponto central é garantir que a tecnologia seja incorporada com critério, treinamento e avaliação de qualidade”, ressalta o radio-oncologista Allisson Borges, vice-presidente da SBRT.
Formação multiprofissional
Além da programação principal, o congresso promove a formação multiprofissional com a realização de eventos paralelos. Estão programados o 16º Encontro de Residentes Médicos em Radioterapia, a 25ª Jornada de Física Médica, o 22º Encontro de Enfermagem, o 7º Encontro de Dosimetristas e o 21º Encontro de Técnicos e Tecnólogos em Radioterapia.
A Sociedade Brasileira de Radioterapia
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), fundada em 1998, é uma associação civil, associativa e científica, sem fins lucrativos, que representa os médicos radio-oncologistas registrados no Brasil. Mais informações em: https://sbradioterapia.com.br/
Serviço:
28º Congresso da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT)
Quando: 29 de julho a 1º de agosto de 2026
Onde: Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, Brasília (DF)
Informações e inscrições: www.congressosbrt.com.br
Credenciamento de imprensa: Bárbara Conti (11) 98203-4946 | [email protected].
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













