Por Kleber Karpov
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu, em decisão unânime nesta quarta-feira (29/Abr), a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 14,5% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual representa a segunda redução consecutiva e ocorre em Brasília, em um cenário de monitoramento dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação, alinhando-se à expectativa do mercado financeiro.
A decisão de cortar os juros acontece em meio a um ambiente de instabilidade internacional. O conflito no Oriente Médio gerou um aumento nos preços de combustíveis e alimentos, fatores que dificultam o trabalho do comitê para controlar a inflação. O Banco Central informou, em nota, que está monitorando os efeitos de um possível prolongamento da guerra.
“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, destacou o comunicado.
Além do cenário externo, o Copom enfrenta desfalques em sua composição. Os mandatos dos diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) expiraram no final de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não indicou os substitutos. Adicionalmente, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, ausentou-se da reunião por motivos familiares, conforme anunciado na terça-feira (28).
Metas de inflação e projeções
A Selic é a principal ferramenta do BC para manter a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sob controle. A prévia da inflação, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,37%, superando os 3,9% registrados em março. O resultado cheio do IPCA de abril será divulgado em 12 de maio.
Desde janeiro de 2025, o Brasil opera sob um novo sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, estabelecendo um teto de 4,5%. A apuração passou a ser mensal, considerando o acumulado dos últimos 12 meses.
As projeções do mercado financeiro, apuradas pelo boletim Focus, indicam que a inflação deve fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta. Essa estimativa subiu de 3,95% após o início do conflito no Oriente Médio. O próprio Banco Central, em seu último Relatório de Política Monetária, elevou a previsão do IPCA para 3,6% em 2026, mas o número deve ser revisto em junho.
Impacto no crédito e crescimento econômico
A redução da taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo e, consequentemente, impulsionando a economia. Por outro lado, juros mais baixos podem dificultar o controle da inflação. O equilíbrio entre esses fatores é o principal desafio da política monetária.
O Banco Central manteve sua previsão de crescimento da economia em 1,6% para 2026, conforme o último Relatório de Política Monetária. O mercado, no entanto, projeta uma expansão um pouco maior, de 1,85% do Produto Interno Bruto (PIB) para o mesmo ano, segundo o boletim Focus.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










