Por Kleber Karpov
O Governo do Distrito Federal (GDF) investiu, nos últimos seis anos, um total de R$ 267 milhões no programa Cartão Material Escolar (CME), conforme balanço divulgado em (26/Abr). A iniciativa tem como objetivo garantir o acesso a itens de estudo para alunos da rede pública de 4 a 17 anos, cujas famílias são beneficiárias do Bolsa Família, fortalecendo a permanência escolar e movimentando a economia local.
Para famílias em situação de vulnerabilidade, o benefício representa um alívio financeiro significativo. Ranny Rezende, de 25 anos e mãe solo, relata que o auxílio foi crucial para comprar os materiais de sua filha, Ana Clara, de 6 anos, sem comprometer o orçamento doméstico. “Iria prejudicar, porque eu sou mãe solo. Não sei se conseguiria comprar”, lembra.
Beneficiária há três anos, Ranny destaca a importância do programa. “Ajuda bastante, porque é muito material, muita coisa que eles pedem na escola. Agora, sempre que vejo uma mãezinha que diz que não tem condição, eu falo desse programa.”
Além do apoio financeiro, o cartão proporciona autonomia para os estudantes. A possibilidade de escolher os próprios materiais, como a mochila rosa de rodinhas desejada por Ana Clara, é um diferencial do programa em relação à distribuição de kits prontos. “Ela ama ir [comprar], porque já está na fase de escolher o que quer, os desenhos que gosta. Este ano, além dos materiais, eu consegui comprar a mochila de rodinhas que ela estava querendo muito e ela ficou muito feliz”, relata a mãe.
Uma estratégia de política pública
Segundo a Secretaria de Educação, o CME é uma ferramenta estratégica para promover equidade no ambiente escolar. A secretária de Educação interina, Iêdes Braga, afirma que o programa assegura que os alunos tenham os insumos necessários desde o primeiro dia de aula.
“O Cartão Material Escolar é mais do que um benefício: é uma estratégia inteligente de política pública que garante equidade, fortalece a aprendizagem e movimenta a economia local. Ao assegurar que nossos estudantes tenham, desde o primeiro dia de aula, os insumos necessários para aprender, a Secretaria reafirma seu compromisso com o acesso, a permanência e o sucesso escolar. É gestão com propósito, eficiência e foco no que realmente importa: o estudante”, destaca Iêdes Braga.
O benefício é concedido automaticamente a estudantes matriculados na rede pública, com idades entre 4 e 17 anos, que integram famílias cadastradas no Bolsa Família. Os valores são de R$ 320 para alunos da educação infantil, ensino especial e fundamental, e de R$ 240 para os do ensino médio.
Do ponto de vista pedagógico, a iniciativa fortalece o protagonismo e a autoestima dos alunos. A professora Silvia Maruno, assessora especial da Coordenação Regional de Ensino de Brazlândia, explica o efeito positivo da medida.
“Toda a criança quando vem para a unidade escolar tem que ser protagonista da sua educação. E o Cartão Material Escolar proporciona o material e as ferramentas para que ela possa se organizar e fazer suas atividades, além de dar autonomia. A autoestima da criança é levada em conta, a partir do momento que ela vem para a escola com seus materiais, que ela tem a possibilidade de adquirir todo o material necessário. Os pais recebem o benefício, mas o grande beneficiado é o estudante”, define a professora Silvia Maruno.
Crescimento e alcance do programa
O programa registrou uma expansão contínua desde sua implementação. Em 2019, o CME atendia 64.652 estudantes com um investimento de R$ 19.987.040. Já em 2025, o número de beneficiários saltou para 167.042, com um aporte de R$ 51.524.160.
A operacionalização é simplificada para as famílias. A concessão do crédito é automática, sem necessidade de solicitação. O cartão pode ser retirado em uma agência do BRB, após consulta no aplicativo GDF Social, mediante apresentação de documento de identidade e CPF. O uso do valor é restrito à compra de itens escolares em estabelecimentos credenciados.
Atualmente, o Distrito Federal conta com 572 papelarias habilitadas. Em 2025, as regiões administrativas com maior número de alunos contemplados foram Ceilândia (31.321), Planaltina (16.924) e Samambaia (15.690). Ceilândia também lidera o número de estabelecimentos credenciados, com 89, seguida por Samambaia e Taguatinga, ambas com 59.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.









