Vigilância Ambiental recolhe lagartas no Lago Sul para produção de soro antiveneno

Espécimes do gênero Lonomia enviados ao Instituto Butantan para fabricação de Soro Antilonômico

Por Kleber Karpov

A Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) recolheu, na última semana, dezenas de lagartas do gênero Lonomia no quintal de uma residência no Lago Sul. A ação ocorreu após um chamado do morador e teve como objetivo enviar os espécimes para o Instituto Butantan, em São Paulo, onde são utilizados como matéria-prima para a produção do Soro Antilonômico (SALon), único tratamento para o envenenamento causado por este animal.

O problema e a solução

As lagartas do gênero Lonomia são consideradas as mais perigosas para seres humanos, pois seu veneno pode ocasionar acidentes graves, incluindo quadros hemorrágicos que podem levar ao óbito. Paradoxalmente, o próprio animal é a única fonte para a fabricação do antídoto, o que torna sua coleta uma atividade essencial de saúde pública. “Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. A matéria-prima é a própria lagarta. Por isso, é preciso recolher o maior número desse animal. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, disse o biólogo Israel Moreira, da Dival.

O processo de produção do soro no Instituto Butantan, único produtor mundial do antiveneno, envolve o corte e a maceração das cerdas da lagarta. Diferente de animais como serpentes e escorpiões, que podem ser mantidos em biotério para extrações periódicas de toxinas, as lagartas precisam ser constantemente repostas, o que reforça a dependência da colaboração popular. “A gente precisa do apoio da população para realizar a coleta desses animais. Essa é a única forma de produzir o soro. Por isso, cada lagarta recolhida é tão importante”, indicou Moreira.

Riscos e prevenção de acidentes

Os acidentes com a Lonomia geralmente ocorrem pelo contato direto com o animal, que costuma se abrigar em troncos de árvores e outras vegetações. Sua coloração contribui para uma camuflagem eficaz, dificultando a visualização. A presença de folhas comidas e o acúmulo de fezes no solo são sinais que podem indicar a existência de colônias.

Para evitar o envenenamento, autoridades de saúde recomendam a inspeção visual cuidadosa de árvores antes de qualquer contato, como ao coletar frutas ou se apoiar para descansar. O uso de luvas durante atividades em áreas de mata ou pomares também é uma medida de proteção que ajuda a minimizar os riscos de acidentes.

A Dival esclarece que apenas o estágio larval de certas mariposas, como a Lonomia, oferece perigo devido às cerdas urticantes. As demais espécies são inofensivas e não devem ser eliminadas. “Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico”, alertou o biólogo.

Serviços de saúde e orientação

Caso um cidadão identifique um animal peçonhento, a orientação é não manuseá-lo e entrar em contato com um dos Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde para solicitar a coleta segura. Se um acidente ocorrer, a vítima deve ser encaminhada imediatamente ao serviço de saúde mais próximo.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) também deve ser acionado para fornecer orientações especializadas. Se possível, um registro fotográfico do animal pode auxiliar a equipe médica na identificação da espécie e na definição do tratamento adequado. Os soros antivenenos são distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, via Sistema Único de Saúde (SUS), aos hospitais de referência do país.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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