Por Kleber Karpov
Em uma ação voltada à saúde feminina, o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) realizou neste mês de março uma força-tarefa para a implantação do dispositivo intrauterino (DIU), beneficiando pacientes e servidoras da unidade. A iniciativa marcou a conclusão de um projeto iniciado em novembro do ano passado pela equipe de enfermagem do Centro Obstétrico, que atendeu um total de 227 mulheres e teve como objetivo promover o planejamento familiar e a autonomia reprodutiva.
O projeto, que se estendeu por cinco meses, atendeu 145 mulheres residentes de Ceilândia e do Sol Nascente. Além dos procedimentos de inserção do DIU de cobre, a iniciativa teve um forte componente educacional, resultando na habilitação de 16 enfermeiras da Região de Saúde Oeste para a inserção e retirada do dispositivo.
A ação contou ainda com a participação de acadêmicas de enfermagem da Universidade de Brasília (UnB). As estudantes atuaram no acolhimento das pacientes, no esclarecimento de dúvidas e na organização das agendas, cumprindo horas complementares. A certificação de todas as profissionais e acadêmicas envolvidas foi realizada pela Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras do Distrito Federal (Abenfo-DF).
Autonomia e planejamento familiar

Raquel Diógenes, enfermeira obstetra do HRC e idealizadora do projeto, destacou que a iniciativa busca garantir o poder de decisão da mulher sobre a gravidez. Para ela, o acesso a métodos contraceptivos eficazes é fundamental para evitar gestações não planejadas.
“Essa é uma ação de empoderamento feminino e nosso interesse é que a mulher realmente possa planejar quando e como ela quer ter essa gravidez. O motivo pelo qual iniciamos a ampliação dessas ações foi termos observado que, muitas vezes, há gestações não planejadas e, infelizmente, não desejadas. A conexão entre o bebê e a mãe acontece desde a vida intrauterina e, se a gravidez não foi desejada, isso vai se refletir na vida daquela criança”, disse Raquel Diógenes.
A coordenadora também reforçou o papel do DIU como política pública de saúde para a redução da mortalidade materna. “O DIU é um método extremamente eficaz e tem um papel muito importante nas políticas públicas de saúde. Ampliar o acesso a esse método contribui não apenas para o planejamento familiar, mas também para a redução de gestações não planejadas e, consequentemente, para a redução da mortalidade materna”, afirmou.
A enfermeira supervisora do Centro Obstétrico do HRC, Suely de Jesus Cotrim, enfatizou que o projeto reafirma o compromisso institucional com a educação permanente e a qualificação da assistência em saúde. “A ação reforça nosso compromisso com a promoção da saúde da mulher e com a valorização das profissionais que atuam diariamente no cuidado da população”, declarou Raquel Diógenes.
Relatos de pacientes e servidoras

A estudante de enfermagem Nayane Stoffel, mãe de duas crianças, foi uma das pacientes atendidas e ressaltou a importância do projeto ao relatar sua experiência pessoal. “Minha primeira gestação foi planejada, tudo tranquilo. Já a segunda, não: eu descobri fazendo um exame de rotina. Quando vi o resultado, tinha lá um bebezinho”, relembrou.
Aline Fernandes, também mãe de dois filhos, elogiou a organização do mutirão e a qualidade do atendimento recebido. “Quando cheguei aqui, eu não sabia que tinha todo esse aparato de consulta, de acompanhamento. Posteriormente a equipe entra em contato com a gente, agenda retorno para ver se o dispositivo está bem posicionado. Achei tudo muito organizado, passaram as informações sobre medicação, hoje mais cedo fizeram uma palestra explicando o tempo de duração do DIU – que dura 12 anos. Essa ação da secretaria ajuda muito no planejamento familiar e financeiro da pessoa. A gente vê que o SUS funciona”, enfatizou.
A iniciativa também beneficiou as profissionais do próprio hospital. A enfermeira Nathália Faris, uma das servidoras que receberam o DIU, comentou sobre a importância da ação para a valorização da equipe. “A ação evidencia o cuidado da instituição com o servidor. O projeto foi iniciativa de uma colega nossa, e isso valoriza o nosso trabalho, fortalece a nossa identidade dentro da secretaria, melhora o nosso astral, o nosso desempenho”, relatou.










