Por Kleber Karpov
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação e venda de suplementos das marcas Cycles Nutrition e Mushin nesta terça-feira (20/Jan). O órgão federal determinou o recolhimento imediato dos produtos após identificar substâncias sem avaliação de segurança e promessas terapêuticas sem base científica. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, proibiu a comercialização, a distribuição e o consumo de seis itens específicos das fabricantes em todo o país.
A medida atingiu os produtos Recover, Shot Ritual e Relax Ritual, fabricados pela Sylvestre Indústria e Comércio sob a marca Cycles Nutrition. Segundo a agência reguladora, os suplementos possuíam ingredientes sem comprovação técnica de segurança para o uso humano. A presença dessas substâncias deve representar graves riscos à saúde de quem as consome. Os fiscais interromperam a divulgação e o comércio de toda a linha citada no processo administrativo.
A empresa Cycles Nutrition informou que utiliza ingredientes compostos por frutas e vegetais em sua produção. A fabricante explicou que esses extratos servem para conferir aroma e cor aos suplementos, conforme padrões nacionais e internacionais. A marca se comprometeu a fornecer os esclarecimentos e os dossiês técnicos necessários para a regularização dos itens. Os gestores afirmaram que o processo de escolha das matérias-primas seguiu critérios rigorosos de qualidade e certificação.
Alegações sem base científica
No caso da Mushin, a Anvisa proibiu três versões do suplemento Fantastic Oat: frutas vermelhas, banana com caramelo e maçã com canela. A agência constatou que a empresa utilizou extrato de cogumelo com vitamina D2 sem avaliação prévia das autoridades brasileiras. A fabricante também anunciou que os produtos reduziam o colesterol e controlavam o nível de açúcar no sangue. Tais benefícios não possuem comprovação científica reconhecida para suplementos alimentares.
“Infelizmente, deve ter ocorrido algum mal-entendido na leitura da legislação, pois o extrato de Cogumelo Agaricus Bisporus com Vitamina D2 obteve aprovação para uso em alimentos convencionais e suplementos alimentares. Nós somos muito corretos e sérios em relação aos produtos que comercializamos para nossos consumidores. Temos todos os documentos de aprovação do ingrediente. Ele passou por avaliação de segurança e foi aprovado no Brasil em 2023”, disse a nota da Mushin.
A defesa da Mushin alegou que os advogados já trabalham para solucionar o caso junto ao governo federal. A empresa reforçou que possui toda a documentação que atesta a segurança do ingrediente utilizado nas fórmulas. O órgão regulador manteve a proibição até que as pendências técnicas recebam a devida regularização. A vigilância sanitária estadual deve acompanhar o recolhimento dos lotes que se encontram nos pontos de venda em 20 de janeiro.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










