Conselho Federal de Medicina inicia intervenção no Cremerj

Condutas desrespeitam normas da gestão pública, diz o CFM

Por Vitor Abdala

O Conselho Federal de Medicina (CFM) iniciou, nesta sexta-feira (14), intervenção emergencial e por tempo ilimitado no Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). A justificativa foi a constatação de uma série de condutas que, de acordo com o CFM, desrespeitam normas da gestão pública.

A resolução que decreta a intervenção foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. Segundo o CFM, uma vistoria realizada pela autarquia federal na regional fluminense, em janeiro deste ano, identificou situações como despesas elevadas e desnecessárias com aluguéis e condomínios; desrespeito às normas legais de compra e pagamento de fornecedores; falta de transparência e controle em informações sobre concessões e pagamentos; conflito de interesse e uso indevido de recursos públicos.

Também teriam sido constatados, na vistoria de janeiro, aumento de despesa com pessoal sem observar exigências legais; ineficiência na gestão financeira; ausência de responsabilização para decisões e ações tomadas; falta de controle e monitoramento em processos de dívida ativa e no pagamento de verbas a empregados e conselheiros.

Além disso, o Cremerj não teria cumprido a maioria das recomendações feitas na auditoria anterior, em junho de 2024. De 12 recomendações, de acordo com o CFM, apenas uma foi efetivamente implementada. O Conselho Federal destaca ainda que o Ministério Público Federal (MPF) já tinha feito vários pedidos de informação que não foram respondidos pelo Cremerj.

A resolução do CFM afasta a diretoria atual do Cremerj, que tomou posse em 1º de outubro de 2023 e que encerraria o mandato em 31 de maio deste ano. Apenas o corregedor, o vice-corregedor e diretor de sede e representações estão mantidos nos cargos, mas não terão direito a voz e voto nas reuniões de diretoria.

Em nota, a diretoria do Cremerj informou que não teve, até o momento, ciência oficial do conteúdo da auditoria do CFM, “o que reforça a irresignação diante de uma medida extrema e arbitrária que viola o devido processo legal”.

“O Cremerj tem se dedicado a oferecer cada vez mais benefícios aos médicos do estado do Rio de Janeiro, lutando por melhores condições de trabalho e remuneração justa para a classe. Nosso compromisso sempre foi com a valorização da medicina e a transparência na administração dos recursos”, acrescentou a nota.
O texto diz ainda que o Cremerj conta com R$ 20 milhões em caixa e repassou, no último ano, R$ 30 milhões ao CFM. Além disso, destaca que os médicos aprovaram as contas de 2024 do conselho regional, em assembleia na última terça-feira (11).

“Reafirmamos que as contas do Cremerj são públicas e acessíveis no Portal da Transparência. Não há qualquer fato que justifique a intervenção, senão interesses políticos que tentam desestabilizar um grupo legitimamente eleito. Essa ação nos parece uma clara represália contra a postura independente e combativa do Cremerj na defesa dos interesses da categoria médica”, diz a nota.

“Somos um dos poucos conselhos regionais que têm resistido à crescente partidarização dos conselhos de Medicina no Brasil. Essa tentativa de intervenção política tem como objetivo fragilizar uma gestão que sempre se pautou pela ética, transparência e autonomia em relação a interesses externos. Lamentamos profundamente que questões políticas estejam sendo utilizadas para enfraquecer a representação médica, desviando o foco dos verdadeiros desafios da classe. Seguiremos firmes na defesa dos médicos e da autonomia do Cremerj, sempre pautados na ética, na transparência e no respeito à categoria”, conclui a nota.
Os conselhos federal e regionais de Medicina foram criados em 1945 para zelar pelos princípios de ética profissional no exercício da medicina. Uma lei de 1957 deu aos conselhos o caráter de autarquias federais, com cada um tendo personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira.

Segundo a lei, suas funções são julgar e disciplinar a classe médica. Os conselhos regionais são subordinados ao federal e têm como funções específicas fiscalizar o exercício da profissão do médico, expedir carteira profissional e manter o registro dos profissionais que trabalham em determinada região, entre outros.

A lei também prevê que cabe ao CFM promover diligências e verificações nos conselhos regionais e, quando for necessário, adotar providências para sua eficiência e regularidade, o que inclui a designação de diretoria provisória.

MP obtém no STF condenação definitiva de obstetra por conduta em parto domiciliar

Por Kleber Karpov O Supremo Tribunal Federal (STF) certificou o...

TRE-DF decide por inelegibilidade de José Arruda para concorrer ao GDF

Por Kleber Karpov O plenário do Tribunal Regional Eleitoral do...

Fiocruz vai iniciar testes da primeira vacina RNAm contra a covid-19

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Celina Leão anuncia concurso para especialistas da SES-DF

O deputado distrital Jorge Vianna (Democrata) e a diretora...

Celina Leão inspeciona tomógrafo recém-instalado no Hospital Materno Infantil de Brasília

Por Kleber Karpov A governadora, candidata à reeleição, Celina Leão...

Destaques

MP obtém no STF condenação definitiva de obstetra por conduta em parto domiciliar

Por Kleber Karpov O Supremo Tribunal Federal (STF) certificou o...

Jorge Vianna comenta emendas para compra de ar condicionado às UPAS e caso de terceirizados da radiologia com pagamentos em atraso

Por Kleber Karpov O deputado distrital Jorge Vianna (Democrata) anunciou...

TRE-DF decide por inelegibilidade de José Arruda para concorrer ao GDF

Por Kleber Karpov O plenário do Tribunal Regional Eleitoral do...

SUS reforça ações de proteção à saúde das mulheres com garantia de atendimentos e exames

Por Kleber Karpov O Ministério da Saúde (MS) publicou no...

Fiocruz vai iniciar testes da primeira vacina RNAm contra a covid-19

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...