Por Kleber Karpov
O Governo Federal detalhou, nesta quarta-feira (2), os cenários de preparação para os possíveis impactos do El Niño em cada região do Brasil, durante entrevista coletiva com veículos de imprensa regionais. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura, responderam a perguntas de jornalistas de diferentes estados. A agenda ocorre na sequência das reuniões dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, que apresentaram a gestores estaduais e municipais as medidas de preparação e resposta da União e os instrumentos para atuação conjunta entre os entes federados.
Miriam Belchior enfatizou o papel da imprensa na orientação da sociedade sobre riscos e prevenção. Segundo ela, o governo conta com os meios de comunicação para disseminar informações de utilidade pública e orientar a população sobre como se preparar e reagir aos fenômenos climáticos. A ministra também ressaltou que o enfrentamento dos impactos exige ações baseadas em ciência, planejamento e coordenação, além de esforço conjunto da sociedade.
Belchior observou que os efeitos do El Niño não são uniformes no território nacional. Na Amazônia, há risco de seca e incêndios; no Nordeste, o atraso das chuvas pode afetar a produção agrícola do Matopiba, no Cerrado; no Centro-Oeste, há ameaça de queimadas às lavouras; no Sudeste, ondas de calor e incêndios; e no Sul, excesso de chuvas.
Centro-Oeste: prevenção a incêndios e segurança hídrica
O ministro João Paulo Capobianco detalhou as ações de prevenção a incêndios na região. Entre as medidas centrais está o apoio financeiro para preparação de equipes estaduais, como Corpos de Bombeiros. Capobianco afirmou que foram realizadas reuniões com comandantes das Polícias Militares, estratégia importante para que auxiliem na orientação e na ação coercitiva ao identificar pessoas usando fogo de forma irregular.
Com recursos do Fundo Amazônia, R$ 521 milhões foram destinados a ações de prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. Os recursos permitiram a aquisição de 500 veículos e 33.800 equipamentos de uso individual, além da reforma de 30 bases operacionais. Para a segurança hídrica no Centro-Oeste, estão previstos R$ 50,5 milhões. Já para a prevenção de desastres provocados por chuvas intensas, há R$ 248,4 milhões em obras estruturantes.
Sul: preparação para chuvas intensas e enchentes
Na Região Sul, onde o El Niño pode provocar excesso de chuvas, enchentes e deslizamentos, o ministro Valder Ribeiro de Moura apresentou as ações de acompanhamento e preparação junto às Defesas Civis estaduais. O governo atua também na resposta, com ajuda humanitária, socorro imediato e reconstrução de obras. Foram destinados R$ 30 milhões para planos de combate a inundações. Além disso, estão previstos R$ 8,8 bilhões para obras de prevenção de desastres nos três estados da região, incluindo contenção de encostas e drenagem urbana.
Nordeste: segurança hídrica e abastecimento
No Nordeste, os pontos de atenção são a disponibilidade de água e os possíveis impactos sobre a produção e o abastecimento de alimentos. Segundo Miriam Belchior, os principais reservatórios da região estão em situação confortável em comparação com outros períodos. A ministra citou empreendimentos como o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
O Nordeste terá cerca de R$ 10 bilhões para a construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, novos reservatórios que devem acrescentar 2,2 milhões de metros cúbicos de água, além da recuperação de 162 barragens e 172 mil cisternas.
As intervenções de integração e expansão do PISF incluem os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste. O conjunto prevê R$ 4,8 bilhões em investimentos e deve beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas. Em emergências de escassez, a Operação Carro-Pipa é usada para abastecer comunidades atendidas; a operação já recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
Norte: logística antecipada e apoio a populações vulneráveis
Para a Região Norte, o governo está antecipando a entrega de água e alimentos em municípios com comunidades isoladas, para que o material fique próximo das áreas de maior risco e possa ser distribuído por estados e municípios às famílias mais vulneráveis. Há também um conjunto de aeronaves pré-contratadas para complementar o atendimento. Além das 160 mil cestas de alimentos já antecipadas, outras 350 mil devem ser destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Na segurança hídrica, o Novo PAC e o Fundo Amazônia preveem R$ 582 milhões para o Norte, sendo R$ 181 milhões para água rural, R$ 330 milhões para implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões para soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
Sudeste: saúde e prevenção de desastres
No Sudeste, os impactos previstos incluem ondas de calor e atraso nas chuvas. Na área da saúde, o governo prevê a descentralização da Força Nacional do SUS (ForSUS), com a criação de uma base regional no Rio de Janeiro para apoiar o atendimento em emergências e desastres.
Também está prevista a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Belo Horizonte (MG), que reunirá dados e análises sobre impactos epidemiológicos e monitorará eventos como ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas e incêndios florestais para subsidiar o SUS. Para a prevenção de desastres, o Novo PAC prevê R$ 8,7 bilhões para a região, sendo R$ 6,7 bilhões para drenagem urbana e R$ 2 bilhões para contenção de encostas.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;












